CAPÍTULO 106 KELLY NARRANDO O meu coração batia tão rápido que eu sentia até nas mãos. A moto tinha parado na frente de um motel chique, desses que a gente só vê de longe e imagina como é por dentro. As luzes em volta piscavam suave, e o portão abriu depois que o Júlio falou no interfone. Ele tava calmo, firme… como se tudo já tivesse decidido. Eu, por outro lado, tava com um frio na barriga que parecia não ter fim. Enquanto ele guiava a moto até a garagem do quarto, eu tentava respirar fundo. Era o que eu queria — eu sabia disso. Mas o medo vinha junto, sussurrando no ouvido: e se ele não entender? Assim que a moto parou, ele desligou o motor e virou pra mim com aquele sorriso que fazia minhas pernas tremerem. — Vem, gata. — disse baixinho, estendendo a mão. Peguei a mão dele, e

