CAPÍTULO 58 BIBI NARRANDO Tava tudo quieto. O domingo já ia virando noite, o céu meio alaranjado lá fora, e eu tava quase pegando no sono no sofá, com o ventilador soprando morno na cara. O filme na TV passava e eu nem prestava mais atenção. A barriga pesava tanto que até respirar tava difícil. Me mexi pra levantar e pegar um copo d’água, mas quando botei o pé no chão… Senti um estalo. Um calor estranho descendo pelas pernas. — Ai, meu Deus… — murmurei, olhando pra baixo. — Não… não é possível. A bolsa estourou. Um medo gelado subiu pelo corpo. O coração disparou, e as mãos começaram a tremer. O chão ficou molhado, o ar sumiu dos pulmões. — Putä que pariu… o Vinícius… — falei sozinha, com a voz embargada, tentando respirar fundo. Peguei o celular com as mãos trêmulas, os dedos

