CAPÍTULO 71 JÚLIO NARRANDO A noite inteira eu não preguei o olho. O coração batendo na garganta, a cabeça a mil, e o barulho dos grilos lá fora só deixava o silêncio mais pesado. A cada minuto que passava, eu olhava pro relógio, esperando a hora certa de sair. Quando deu quase cinco da manhã, levantei da cama, respirei fundo e encarei o Jão, que já tava acordado, sentado, só esperando o sinal. — É agora, irmão. — falei, firme, o peito apertado de adrenalina. A gente se trocou rápido, vestiu umas roupas simples que o agente tinha deixado escondido pra nós no depósito — calça escura, casaco, boné. Marcinho também já tava de pé, mas ele ia seguir outro rumo. — Eu fico por aqui. — disse ele, ajeitando a mochila. — Tem um barco que cruza pro Paraguai daqui umas horas. Lá eu me viro. Ass

