CAPÍTULO 83 ESCORPIÃO NARRANDO Tava na boca, encostado na janela, olhando o movimento lá embaixo. A noite tinha caído pesada, o morro aceso de luz e som, mas dentro de mim o silêncio era maior que tudo. Desde que eu vi o Vinícius, parece que nada mais fazia sentido. A mente só voltava praquele momento — o moleque rindo, o jeito que ele me olhou, o “papai” saindo da boca dele com aquela inocência. Porrä… aquilo não saía da cabeça nem por um segundo. Eu tava ali, quieto, tentando organizar o turbilhão, quando o vapor bateu na porta. — E aí, patrão… a Luna tá aqui fora querendo entrar. — ele disse, meio receoso. Revirei os olhos, bufando. — Fala pra ela que eu não quero papo, não. Tô de boa de piranhä hoje. — falei, seco, sem nem virar o rosto. — Já é, patrão. — ele respondeu e saiu n

