CAPÍTULO 62 ESCORPIÃO NARRANDO Desde aquele dia que minha véia me acordou no grito, eu nunca mais encostei num pó. Nem um traço. Nem um gole de cachaça pra disfarçar. Nada. Limpo. De corpo e mente. Foi fodä, não vou mentir. As primeira semana parecia que o demônio me arrastava pelos canto. Tremedeira, dor de cabeça, insônia… tudo junto. Mas a voz da minha coroa ecoava na mente: –Tu vai morrer, Gabriel. E eu não quero enterrar mais ninguém. Aquilo me bateu fundo. E eu jurei pra mim mesmo que não ia ser mais um fantasma do morro. Hoje, o bagulho tá outro. O morro tá no controle, o corre voltou pro eixo, e o respeito tá de pé. Os menor tão na ativa, cada um no seu posto, e eu tô com o olhar em tudo. Sem droga, sem bagunça. Quem vacila, desce. Quem trabalha certo, cresce. É ass

