CAPÍTULO 17 BIBI NARRANDO Terminei de comer o pastel, já com a barriga cheia e o gosto bom ainda na boca. Lavei o prato, guardei o copo e fiquei um tempo encostada na pia, só ouvindo o barulho da casa — o chuveiro do Júlio lá em cima, o rádio da vizinha tocando um pagodinho antigo e o vento batendo na janela da sala. Peguei a sacola vazia e joguei fora, ainda sorrindo de canto. Era engraçado como um simples pastel conseguia me deixar mais leve. Pouco depois, ouvi os passos do Júlio descendo as escadas. Ele veio já trocado, cheiroso, com a camisa polo branca e o cordão brilhando no pescoço. O cabelo molhado, o boné na mão e aquele jeito apressado que só ele tinha. — Já vai sair, é? — perguntei, encostando na parede da cozinha. Ele deu aquele sorrisinho maroto, passando a mão no cordã

