CAPÍTULO 48 ESCORPIÃO NARRANDO Cheguei em casa com o sangue fervendo, o coração batendo tão forte que parecia que ia sair pelo peito. Joguei a moto na garagem, o pneu ainda cantando no chão, e subi os degraus quase tropeçando de tanta pressa. — Meu Deus, menino… que cara é essa? — minha mãe perguntou assim que apareci na sala. Tava com o avental ainda, segurando uma colher, o cheiro de comida no ar. — Tu parece um doido! — Mãe… — falei ofegante, passando a mão no rosto, suado. — A Bibi sumiu. Ela parou do meu lado na hora, o olhar assustado. — Como assim sumiu? — Sumiu, porrä! — respondi, a voz alta, o desespero já me dominando. — Discutiu comigo hoje cedo lá no morro, saiu chorando, e agora ninguém acha ela em lugar nenhum! Minha mãe segurou no meu braço, tentando me acalmar. — C

