Chapter 3 - Joalin

1864 Words
Ter um irmão como o Josh significa que muitas, se não todas as garotas irão querer se aproximar de você por conta dele. O que torna chato e difícil de fazer amizades, mas isso não me faz ter raiva dele, ele é meu melhor amigo. Quando nossos pais tiveram a ideia de abrirem uma escola de dança e nos colocar para dar as aulas quando chegássemos à idade, foi uma experiência renovadora e única para mim. Eu dou aulas para as crianças, e é muito bom ver eles animados e aflorando cada vez mais o seu talento. Além disso, fiz amizades com as novas alunas indicadas pela faculdade. Sofya e Hina tinham uma luz diferente, tentavam nos trazer alegria, mesmo que elas estivessem tristes. A melhor amiga delas havia sofrido um acidente e estava em coma, Sofya até demorou para vir à audição para as aulas, eu que segurei sua vaga, já que Heyoon, uma das garotas que mora com ela, nos explicou a situação. Nunca poderia imaginar se fosse o Josh no lugar da amiga dela, eu estaria desolada e admiro aquele pingo de gente por ser tão forte.  - Sobe e desce e gira e UP! - Dou as ordens para as crianças e elas finalizam o passo pondo a mão para cima. - Muito bem, meus amores. Ótima aula hoje. - As crianças de 7 à 9 anos comemoraram batendo palminhas e se juntaram para pegarem suas coisas e irem em direção aos seus pais. - Maninha... Pronta para ir almoçar? - Pergunta Josh após as crianças saírem com seus pais. - Se não se importa eu chamei uns amigos. - Grunhi. - Que amigos, Josh? - Pergunto já imaginando quem seja. - Noah, Shivani, Heyoon e a amiga dela, Sina e... - Fechei os olhos com força. - Bailey. - O que foi que eu te fiz? - Pergunto. - Bailey não cansa de suas investidas em mim. Mesmo eu dizendo não pra ele. - Conta logo que você curte da mesma fruta que ele. - O encaro com desdém. - Até quando vai esconder? - Dou de ombros. - Eu não escondo nada. Eles que assumem que sou hetero. - Ele ri passando o braço em meu ombro e eu o acompanho. Bailey é o melhor amigo do Josh desde que tínhamos 8 anos e nos mudamos para a cidade. E desde àquela época Bailey investe em mim, claro que primeiro na inocência como pegar na minha mão e beijar minha bochecha, mas agora ele não é tão inocente assim. Shivani também faz parte da nossa equipe na Academia de Dança, ela nos mandou um vídeo dançando e então eu soube que ela deveria estar na equipe, mesmo sendo tão nova. Aqui na Academia é dividido em faixa etária. Josh dá aulas aos mais velhos que a faculdade manda. Eles têm de 16 à 20 anos. Shivani fica com os medianos de 13 à 15 anos. Heyoon foi contratada para ficar com a faixa etária de 10 à 12 anos. E eu fico com os alunos de 7 à 9 anos. Ainda não temos quem tenha a habilidade de ensinar crianças de 4 à 6 anos, mas estamos à caminho. - Agora meu dia ficou melhor. - Diz Bailey sorrindo. - Bailey, não sabia que me amava tanto. - Diz Josh. - Falo da sua irmã. - Ele diz sorrindo pra mim, sorri sem graça. - Alguém avisa ao Bailey. - Diz Noah rindo divertido. - Onde estão Heyoon e Sina? - Pergunta Josh quando nos aproximamos e cumprimentamos todos os nossos amigos - Elas não poderão vir, foram ao hospital. - Responde Shivani enquanto nos sentamos à mesa. - Parece que o médico as chamou para ver à respeito dos aparelhos que usam na amiga delas. - Que triste isso que aconteceu com elas, não? - Comenta Josh. - Elas quase não sorriem e falam tão bem da garota... Sabrina? - Josh pergunta para mim. - Sabina. - Corrigi. - Sofya me contou que ela não fala com os pais desde que se mudou e que elas tentaram entrar em contato para informar sobre o coma dela, mas não conseguiram. - Suspirei triste. - O que será que vai acontecer? - Ela já está em coma há alguns meses, provavelmente querem falar à respeito de desligar os aparelhos. - Responde Noah. - Espero que não. Elas ficarão desoladas. - Responde Josh. - Enfim... Vamos pedir? - Sugeriu Bailey para mudar de assunto. Mudamos de assunto, mas a minha cabeça não parava de pensar sobre Sabina e as meninas. As garotas eram tão apegadas umas as outras e Sofya vivia fazendo planos para quando a Sabina acordar. Eu estava sentada de costas para rua e de frente à uma janela de vidro do restaurante onde almoçávamos, olhei para frente e franzi a testa ao ver uma criança na rua. Ela estava parada e encarava direto para mim. Ouvi um barulho de um ônibus e me virei bruscamente, mas parece que foi algum tipo de ilusão, não havia nada. - O que aconteceu? - Perguntou Josh. - Algum problema, Jô? - Pergunta Bailey. Neguei e me virei para eles novamente. - Não. Achei que tinha visto algo. - Respondi e voltei a comer. Depois do almoço ainda ficamos um tempo jogando conversa fora, até que recebi uma ligação. Era a Heyoon. - Oi Heyoon. - Atendo, meus amigos ficaram em silêncio. - Jo, será que você pode vir ao hospital e falar com a Sofya? Por favor. - O que aconteceu? - Pergunto preocupada e meus amigos percebem. - Se os pais da Sabina não se pronunciarem, a Sabina vai ser deportada para o México. Sofya não quer sair do quarto. - Mas... Meu Deus. - Digo já me levantando e pegando minhas coisas. - Eu vou encontrar a Heyoon no hospital. - Expliquei brevemente e saí de lá. - Eles podem fazer isso? - Podem... O médico se comoveu com a Sofya, disse que nós temos mais 1 mês até que ela seja deportada para o México que irá se encarregar do coma dela e provavelmente irão desligar os aparelhos. Dirigi o mais rápido que pude até o hospital, me identifiquei e segui até o quarto da Sabina. Sofya estava deitada na maca com a amiga. Heyoon estava na porta de braços cruzados, não chorava e Sina sentada no chão. Ela sim chorava. - Joalin... Que bom que veio. - Heyoon diz me abraçando e Sina se levanta. - Sofya não deveria estar aqui. O médico disse que o estado da Sabina não é crítico e que ela está tendo progresso e pode acordar em alguns meses... - Percebi a voz da coreana ficar embargada. Ela cruzou os braços novamente. - Assim como pode levar anos, como ela é mexicana e seus pais não estão aqui e nem se apresentaram em meses, ela será deportada em um mês caso não acorde. E a medicina do México ficará responsável. - Mas se isso acontecer, sabemos que os aparelhos serão desligados. - Diz Heyoon. - Só fala com a Sofya e tenta fazer ela ir para casa. - Respirei fundo. - A única pessoa com quem a Sofya se apegou tanto além da Sabina, foi você. - Assenti e entrei no quarto. - Joalin? - Ela chamou quando percebeu minha presença, mas não se levantou. - O que faz aqui? - Me aproximei. - Sina e Heyoon me contaram o que houve. - Digo me aproximando e observando Sabina. Ela era linda. Sofya segurava a mão dela, seus olhos e nariz estavam vermelhos. - Eu não vou sair daqui. Não vou deixar ela, não vou deixar tirarem ela. - Diz ela. Dei a volta na maca e sentei do outro lado. Encarando Sabina. - Ela é sua melhor amiga não é? - Sofya assentiu. - Ela foi a primeira pessoa que falou comigo aqui, não me julgou pelo meu tamanho ou idade e sempre fez de tudo para me fazer sorrir... Ela é como uma mãe para mim... - Ela enxuga uma lágrima. - Não posso deixar que matem ela. - Respirei fundo. - Como ela é? - Pergunto. Sofya ri. - Ela é mandona, gosta de mandar muito na gente, mas é uma pessoa maravilhosa apesar isso. - Ela fungou. - Ela ama nos fazer rir. O tempo todo. Diz que queria aprender Russo e é boa nisso. - Ela ri novamente. - Eu sinto tanto a falta dela. - Bom... - Acariciei a mão dela que estava entrelaçada com a mão de Sabina. - Acho que ela não quer ver você assim... - Sofya me encara. - Ela ainda tem um mês, mas se te faz se sentir tranquila eu fico aqui. Você vai pra casa. Toma banho, faça suas atividades e volta aqui amanhã. - Hoje... - Diz ela se levantando. - Eu virei dormir com ela. - Assenti. - Isso... Então vá para casa e faça tudo isso, quando você voltar, eu prometo que estarei aqui e cuidarei dela, não vou deixar nada acontecer. - Sorri para passar confiança. - Faça por ela. - Sofya encarou Sabina por alguns segundos e assentiu. - Obrigada, Jo. - Assenti sorrindo e a observei sair. Não sei quantos minutos passei encarando a Sabina e imaginando ela fazendo todas as coisas que já me contaram. Quando ela tocou fogo na árvore de natal sem querer por ter armado as luzes natalinas errado, quando ela tentou fazer biscoitos e queimou, quando ela fez uma festa surpresa para Hina e quebrou uma perna tentando descer as escadas no escuro, pois se recusava a ligar a luz antes da aniversariante estar mais perto para não estragar a surpresa... Ela realmente parecia ser uma pessoa incrível. O que veio a seguir me fez ficar estática. Alguém exatamente igual à Sabina acabou de atravessar a porta até então fechada. Gritei pelo susto e a mulher a minha frente me encara confusa. - Você está me vendo? - Ela pergunta. - Como você... - Não terminei, apenas apontei. Ela encara a porta e despois para mim. - Você está me vendo... Evangeline. - Uma criança apareceu ao meu lado e eu pulei da cama, caindo no chão. Apontei para a menina que me encarou com o cenho franzido, mas não consegui falar nada, eu tinha a visto hoje, ela era a criança do reflexo da janela. - Ela está me vendo. - Diz a mulher igual à Sabina que havia atravessado à porta fechada. - Interessante... - A menina me encara e sorri. Ela era fofinha. Me levantei devagar. - O que está acontecendo? - Pergunto olhando para o chão. - Eu estou sonhando. É só um sonho. - Repeti para a mim mesma. - Sinto muito, isso não é um sonho. Prazer... Sabina. - Ela estendeu a mão. Me afastei. - Isso é uma pegadinha? - Não é pegadinha. - Diz a criança ao meu lado novamente. - Joalin, essa é a Sabina, Sabina, essa é a Joalin. - Ela nos apresenta. - Como sabe meu nome? - Ela deu de ombros. - Tenho que ir. - E assim como apareceu, ela sumiu. Ótimo. Fiquei louca.  
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