- E ela não veio... - Gemeu Sofya após nós cantarmos o parabéns. - d***a. Eu falei que não queria presente.
- Sabe como é a Sabi, ela quer agradar à todos e ama ver o sorriso de todo mundo. - Diz Hina. Sofya suspirou.
- Vamos? A pizzaria vai fechar. - Digo me levantando. Sofya ainda olha para a porta na esperança de ver Sabina entrar por ela, completamente molhada, mas isso não acontece, então ela suspira e se levanta. Diarra pede à um dos garçons para embalar a pizza. Nós não comemos, esperávamos por ela. E assim que tudo estava pago e embalado, nós saímos divididas entre três guarda-chuvas até chegarmos ao meu carro e o da Diarra. Sofya viria comigo e as outras meninas foram com Diarra. O guarda-chuva dela era maior. Pela visão periférica percebi que Sofya enxugava uma lágrima ou outra. Suspirei.
- Sofya... - Comecei. - Sabe que ela não fez de propósito.
- Sim, eu sei... - Diz ela fungando. - Mas eu queria que me aniversário fosse perfeito, que... - Sofya engoliu em seco. - Eu não sei, eu a amo tanto, ela é uma das minhas melhores amigas. - Suspirei.
- Vai ficar tudo bem. Eu aposto que iremos chegar em casa e ela vai estar lá completamente molhada, porquê se recusou a tomar banho ou ao menos se trocar, para garantir que você não chegasse enquanto ela estivesse no banheiro e te dar um abraço e o seu presente. - Sofya riu.
- A cara dela fazer isso. - Ouvimos um toque de celular e Sofya pegou seu aparelho e franzindo a testa. - É a Sabina... Sabina?
. . .
Aquela noite se remoía na minha cabeça todos os dias. Lembro-me bem de quando minha avó entrou em coma, todos tinham esperança que ela acordasse um dia, mas isso não aconteceu e ela morreu, disseram que ela sofria ligada às máquinas então minha família autorizou à desligar.
A dor foi imensa, minha avó era uma das minhas melhores amigas, ela era uma pessoa maravilhosa para mim e perdê-la aos poucos talvez tenha sido uma das piores coisas da minha vida.
Tentei me manter forte, manter o foco, pelas meninas, Sofya era a que mais sentia falta da amiga, Hina também, mas ela tentava esconder o máximo que podia.
- Hina? - A chamei entrando no quarto, ela se sentou e enxugou as lágrimas. - O que houve? - Chovia forte lá fora, trovoava e os raios fortes iluminavam a noite escura. Hina tinha medo de trovões e sempre que chovia, ela dormia com a Sabina. - Está tudo bem... Digo a abraçando. - Eu também sinto falta dela. - Admiti.
- Ela estaria aqui, me abraçaria e diria: Hina... Trovões não irão te m***r, o que mata é o raio, principalmente se você atrair ele para você. - Hina riu em meio ao choro. - Alguns dias são piores do que os outros. - Acariciei seus braços.
- Se quiser eu durmo com você. Ok? - Ela assentiu e nós nos deitamos. Dei minha mão para ela e logo ela adormeceu.
. . .
Segurar as pontas sem a Sabina estava sendo difícil, me manter forte pelas meninas estava sendo difícil e às vezes eu vacilava, mas sempre tentava me recompor e tocar a vida. Assim como minha avó, Sabina também se fora.
A única pessoa com quem eu me abri, foi a Sina, ela estava sendo minha fortaleza e passando por aquilo comigo, eu amava aquela garota e seria eternamente grata à ela.
Alguns meses após o acidente da Sabina, ela me pediu em namoro, aceitei, imaginaria que a Sabina bateria palma, gritaria, falaria que nos amava... Mas ela não estava mais ali. E aquilo doía. Estava difícil seguir daquela maneira.
Último dia do prazo. A Sabina não iria acordar. Iriam levá-la. Recebi a ligação do médico e fui o mais rápido que pude, no caminho liguei para a Sina, era aquele momento, era o adeus.
- Sinto muito, senhorita Jeong. - Engoli em seco.
- Obrigada por tudo... - Falei. - Sei que fez o que pôde. - Chegamos na sala.
- Irei deixá-la sozinha por um tempo. - Entrei em passos lentos na sala, encarando Sabina ainda imóvel e uma dor imensa tomou meu peito e pela primeira vez naquela sala, chorei, e pela primeira vez, tomei coragem para dizer o que tinha entalado em mim.
- Você é tão egoísta, Sabina... - Digo. - Por que você fez isso? - Funguei, pela primeira vez me permitindo ser fraca. - Você chega do México e rouba nossos corações com sua alegria e seu jeito diferente... Mesmo sem ter contato com nenhum familiar, você estava sempre sorrindo e fazendo de tudo para nos fazer sorrir. E agora está aí... Você será deportada e vai nos deixar. EU TE ODEIO POR ISSO SABINA. Eu fui forte durante todo esse tempo, forte pelas meninas, porquê cada um naquela d***a de irmandade têm seu valor e sua necessidade e Sabina, nós precisamos de você. Por favor, se você está me ouvindo, por favor, volta. Eu achei que fui forte, mas na verdade fui a mais fraca de todas - Eu já soluçava. - Precisamos de você, você é a luz da irmandade... - Percebi que uma lágrima rolou dos olhos dela e me aproximei. - Sabi, por favor, se você está me ouvindo, volta. - Segurei sua mão e levei até a minha testa, não aguentava mais tudo aquilo, precisávamos dela.
- Senhorita Jeong... - Me virei para o médico e toda equipe na porta. Ele me olhou com compaixão e pena. - Sinto muito. - Neguei.
- Não... Por favor... - Supliquei. - Por favor... - Acho que a segunda vez nem se ouviu, minha voz estava fraca. A equipe médica se preparou para retirá-la de lá e eu me levantei indo para a porta. Sofya logo chegou com Shivani e Josh e as meninas da irmandade a seguindo.
- NÃO A LEVE. NÃO. - Ela iria avançar na equipe médica, mas eu a segurei e a abracei chorando com ela. Ela ainda esperneou, mas logo se rendeu as lágrimas e escorregou, ela iria chorar no chão se eu não estivesse a segurando. Shivani se aproximou e nos abraçou também. Olhei para o lado e Sina abraçava Hina junto à Diarra, e Any chorava nos braços de Josh. Me perguntei onde Joalin poderia estar naquele momento, ela inexplicavelmente havia se apegado à Sabina, mesmo com ela estando em coma e agora não estava ali, talvez não suportando o que estivesse acontecendo ou prestes a acontecer.
- Vamos... - Eu disse tirando a Sofya da sala. Ela ainda chorava e chorou por um bom tempo. Não podíamos ficar no hospital, por tanto fomos para a praça logo em frente. Já havíamos parado de chorar, mas estávamos todos tristes demais para agir ou se levantar. Não sei quanto tempo ficamos assim. - Gente... - Comecei e funguei. - Se a Sabi estivesse aqui, ela iria dar sermão em todas nós por estarmos tristes... - Any riu um pouco.
- Consigo imaginar ela dizendo... - Ela pigarreou para tentar imitar o sotaque da mexicana e levantou sua cabeça do ombro de Josh. - Porquê estão todos tristes? Vamos gente... Não podem ficar assim para sempre... Vai passar. - Todos riram brevemente da imitação, mas ficaram tristes novamente. Não iria passar. Meu celular tocou e eu o atendi tentando conter minha voz embargada.
- Alô?
. . .
Todos corremos de volta ao hospital, todos ansiosos e apreensivos. Uma enfermeira nos esperava. Nem ela parecia acreditar no que dizia, então ao chegarmos em frente ao quarto, ela apenas abriu a porta. Sofya estava ao meu lado e nós duas à frente. Sabina conversava com o médico e ao ver a porta sendo aberta olhou para nós e sorriu.
- Acharam mesmo que iam se livrar de mim tão fácil assim? - Arregalei os olhos e não contive o sorriso. Sabina estava ali, de olhos abertos, sorria, não parecia que esteve em coma por meses. Ela havia acordado e eu não queria que tudo fosse um sonho.