Chapter 12 - Joalin

811 Words
Eu batia com a cabeça no volante do carro, estávamos no estacionamento do hospital. Eu estava irritada com ela. Não havíamos encontrado todos os motivos e Sabina queria desistir.                 - Motivo 1: Não posso morrer quando sofri um acidente no aniversário da Sofya. Motivo 2: Não decepcionar a Evangeline. Motivo 3: Sofya precisava saber que a culpa não era dela. Motivo 4: Preciso me entender com minha família. Eu sinto, falta apenas 1 motivo... - Nós já procuramos tudo, Sabina... Qual pode ser o outro motivo? - Suspirei. - Tem certeza? - Sim. Eu sinto que preciso de mais um motivo para ficar, mas não consigo encontrá-lo. - E você quer desistir assim? Ignorar todos os outros motivos? - Tentei. - Se esses motivos fossem fortes o suficiente para me fazerem ficar, eu não estaria em busca de um outro. Eu não posso mais fazer isso, Jo. Me desculpe, mas todos eles estão sofrendo, eu preciso pôr um fim nisso. - Engoli em seco tentando não chorar. Sabina havia se tornado minha melhor amiga e nós passamos por tanto juntas. Isso não poderia acontecer. - Por favor, não faz isso... - Falei me virando para ela e ela segura minhas mãos, eu senti um arrepio percorrer minha espinha. - Vai ficar tudo bem... Só... - Ela hesitou rapidamente. - Cuide da Sofya por mim. - Evangeline... - Chamei. A anjinho apareceu. - Chamaram meu nomezinho? - Ela pergunta. - Por favor... Por favor diga que tem algo para fazermos... - Evangeline encara Sabina. - Quer desistir? - Ela pergunta para a Sabina. - Me desculpe, Evangeline, você era um dos motivos, mas eu não posso... - Evangeline começou a negar. - Não, Por favor, Sabina, ainda dá tempo, só pensa... - Ela negou. - Eu vou ser deportada... Não quero mais viver dessa maneira. - Ela riu. - Se isso é viver. - Você não pode desistir... - Ela tenta de maneira quase desesperada. - Por favor, eu sei que você vai encontrar o motivo. - Sabina n**a. - Sabina... Pensa na Sofya... – Minha vez de tentar e novamente, Sabina negou. - Eu estou pensando nela, ela está sofrendo, todas elas estão e eu te envolvi nessa enrascada comigo, quantas vezes você foi taxada de louca? As pessoas te olhavam estranho, loirinha... - Suspirei. - Não sei quanto tempo vai levar até que eu encontre. - f**a-se... - Gritei. - Eu não me importo, passe o tempo que for... Mas, por favor, Sabina não vai. – Ver a Sabina desistindo fazia meu coração doer absurdamente. Sabina segurou as minhas mãos e olhou meus olhos. - Não posso fazer isso com você. Você tem que viver e ser feliz. Vai ser feliz minha loirinha. - Evangeline... - Olhei para o anjinho, sua feição era triste. Ela não podia fazer nada. - Então é uma despedida? - Perguntei para a Sabina, ela assentiu. Encostei meu rosto no dela. - Eu te amo, Sabina... Não me deixa. - Falei. Ela se afastou. - Eu também te amo, Joalin... E é por isso que eu tenho que ir. Evangeline, eu não quero mais procurar... - Pronta? - Evangeline pergunta olhando para mim. - Para o quê? - Pergunto. - Sua memória ser apagada. Duh! - Ela diz como se fosse óbvio. - É minha única opção? - Ela dá de ombros. - Você pode optar por manter as memórias, mas é mais doloroso. - Suspirei olhando para frente. Deveria eu esquecer de tudo que vivi e fiz pela Sabina? Olhei para a Sabina e tive minha resposta; não... Eu não deveria. Eu não queria. - Não. - Falei. - Eu não quero esquecê-la. - Sabina me olha como se eu falasse a coisa mais absurda do mundo. - O quê? Você tem que me esquecer. - Eu não quero... - Falei. - Você foi a melhor e a mais louca coisa que já aconteceu comigo, Sabina, eu não quero te esquecer. - Evangeline. - Recorreu ao anjo. - Não posso fazer isso se ela não quiser. - Você fez isso com o irmão dela. - Rebateu Sabina. - Foi diferente. - Diz Evangeline e em seguida olhou para mim. - Tem certeza? - Assenti. - Você quem sabe... Temos que ir... - Ela diz para Sabina, mas suspira e se vira para mim novamente. - Você vai ficar bem? - Assenti e assim elas sumiram. E então me vi sozinha, nem percebi quando as lágrimas escaparam, chorava lembrando de tudo, Sabina havia sido uma das melhores companhias que eu já tive, uma amiga e companheira, que se ela estivesse viva, poderíamos nos estranhar no começo, mas logo nos tornaríamos melhores amigas, ou talvez até mais. Eu havia me apaixonado por ela, me apaixonei por um fantasma, e agora, sabendo que ela desistiu, sabendo que ela se foi, era como se algo faltasse em mim.  
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