Orgulho LGBTQIA+

1755 Words
Ela não era mais um anjinho no céu, agora ela era um na terra. Cercada de todo amor que uma criança poderia receber, Evangeline era repleta de luz e energia, além de amada por todos à sua volta. Ela sabia como conquistar alguém, era simpática, receptiva e mesmo tão nova, sabia ouvir os outros, assim como sabia conversar. Joalin costumava chama-la de pequena gênio, era incrível como ela poderia ser tão inteligente e comunicativa, poderia muito bem dar uma palestra sobre qualquer assunto que conhecesse. - Espera, o que ele disse? – Pergunta Joalin. Achando a história que a filha havia acabado de lhe contar um tremendo absurdo. - Que minha família é esquisita e que eu sou triste por que tenho duas mamães e não um papai e uma mamãe como todo mundo normal. – Ela repete. – Mas eu não entendi, por que eu sou feliz com a família que eu tenho. - É por que o triste é ele. – Diz Sabina se aproximando da mesa e entregando um pote com sorvetes para a sua filha. - Amor... – Repreende Joalin. Sabina apenas deu de ombros e se sentou com um pote de sorvetes em mão também. Joalin então suspira e se vira para a sua filha. - Querida, você ainda vai se deparar muito com pessoas que falarão isso. Existem pessoas que, de alguma forma se ofendem com o nosso modo de amar. - Eles acham estranho e diferente por que são preconceituosos e tudo que é diferente os assusta. Mas você não deve ficar triste por isso. – Completa Sabina. - Ou chutar o coleguinha no meio das pernas. – Diz Joalin. Evangeline deu de ombros. - Mama disse que era assim que se tratavam pessoas que falam coisas ruins. – Diz dando uma colherada no seu sorvete, Joalin se vira para Sabina que sorriu amarelo e encolheu os ombros, novamente suspirou e se voltou para a filha. - Mas você foi suspensa da escola. Seu coleguinha falou isso por que não sabe o que diz. – Joalin tenta explicar. - Não só fui suspensa eu ganhei sorvete também. – Diz ela levantando seu pote e Joalin a encarou séria. – Desculpa. - Tudo bem, só prometa que não irá fazer mais isso, certo? – Evangeline assentiu para Joalin. - Okay, agora pode ir assistir. – Evangeline pegou seu pote de sorvete e correu em direção à sala, deixando as mães sozinhas. Sabina encaram Joalin com uma expressão fofa em seu rosto, tentando evitar também levar uma bronca. – Não vai adiantar. – Sabina desfez a expressão. – Saby... - Eu não imaginei que isso iria acontecer agora, pensei que ela iria usar isso quando fosse adolescente. – Sabina tenta se defender. - Ela só tem oito anos, Saby, mesmo que muito inteligente, ela vai levar tudo ao pé da letra. – Sabina suspira. – Eu confesso que sentiria orgulho se ela fosse mais velha, mas agora ela é uma criança que chutou uma outra criança que com toda certeza só falou aquilo por que ouviu de alguém e foi ensinado assim. - Agora eu me sinto m*l. – Diz Sabina cabisbaixa e suspirando. – Sou uma péssima mãe. - Não se sinta assim. – Diz Joalin com a voz suave e segurando à mão da esposa. – Está tudo bem, você é uma ótima mãe. – Sabina encara os olhos azuis da esposa. - Só vamos ter cuidado do que falamos para a Lin. – Sabina assentiu. - É melhor mesmo...   [...] Evangeline era uma boa aluna e nunca deu trabalho ou dor de cabeça à sua professora ou funcionários da escola, por isso a sua atitude surpreendeu à todos e, por ser uma garota tão doce e amável, ela não sofreria uma consequência tão dura como a suspensão, seria apenas um castigo como ajudar a professora à limpar a sala depois da aula, mas, por exigência dos pais do colega o qual ela chutou, ela levou suspensão de três dias. Dias estes que já haviam se passado e ela voltara para as aulas. Era o mês de Junho na escola, em casa, a mesma ouviu que esse mês era o mês do “Orgulho” e viu suas mães comemorando isso, mas em Junho também é comemorado outra data. O dia dos pais. - Crianças, os materiais que trouxeram será para vocês fazerem um cartão para o papai e junto dele escreverem uma cartinha, na sexta que vem todos vocês lerão o que escreveram para todos os papais da turma. Quero tudo muito bonito e bem feito está bem? – A professora diz sorrindo meiga e então se senta à sua mesa, para corrigir as atividades de casa entregues pelas crianças mais cedo. Harry, colega de Evangeline que sempre a provocava e o que levou o chute dela, se virou para ela com a feição provocativa de criança. - Ei, Evangeline, o que vai escrever para seu pai? – Ele pergunta e Evangeline respira fundo o encarando brava. – Ah é ... Você não tem. – Ele riu. – Sua família é esquisita. – Ele volta à prestar atenção em seu trabalho. Evangeline então se levanta e segue até a sua professora. - Senhorita Morns. – Ela a chama e a professora vira sua atenção para a garota. - Oh. Evangeline, querida... – Ela toca o ombro de Evangeline. – Você pode fazer para seu avô e ele pode vir ver a sua apresentação... Ele é pai também. - Não é isso... – Ela diz sem se abalar com o que a professora disse. – Quando formos apresentar, eu posso fazer algo? – A professora franziu a testa. [...] Evangeline não queria os avôs àquele dia. Ela queria suas duas mães e ninguém iria impedi-la. Houve olhares preconceituosos perante àquela família tão linda e cheia de amor, mas nada que os abalasse, Evangeline devolvia os olhares com caretas fofas, como se intimidasse alguém. A turma toda se preparou para fazer a apresentação de dia dos pais, entretanto, Evangeline não o fez junto aos seus colegas. Harry caçoara dela, o que fez os outros colegas rirem, mas ela não se importou e controlou seu impulso de agredir o colega novamente. Não queria estragar àquele dia. As crianças apresentaram o que ter um pai significava para elas, lerão suas cartas e cantaram uma música que todos ajudaram à escrever. - Por que minha filha ficou de fora? – Questiona Sabina irritada. – Mesmo que ela não tenha pai, ela tem avôs. - Amor, calma... – Disse Joalin com a voz serena e segurando o pulso da esposa. - Não, calma não... – Sabina estava pronta para se levantar quando a apresentação terminou e as crianças se retiraram, dando lugar à professora. - Agora, a aluna Evangeline Hidalgo irá fazer uma breve apresentação. – A professora puxou os aplausos e Sabina e Joalin se encaram, antes de voltar sua atenção para a filha. Evangeline ficou nervosa e encarou o local, segurando um papel onde deu para ver que ela tremia de nervosismo. Mas, assim como em suas competições de dança, ela encarou suas mães que a olhava ansiosas e com orgulho, Evangeline então respirou fundo. - Olá, me chamo Evangeline Viivi Hidalgo, e tenho oito anos. Nasci dia 07 de Dezembro e sou filha de Maria Sabina Hidalgo Pano e Joalin Viivi Loukamaa Beauchamp. Sim, eu tenho duas mamães. – Ela falava encarando o público. – Desde que eu era pequena eu via as pessoas falando “coitadinha, ela não tem pai.” Ou “Como é o dia dos pais?” e agora eu vou esclarecer para vocês. – Ela encara o coleguinha que a encarava com desdém. – No dia dos pais, desde que nasci, nós saímos para almoçar com o vovô Pepe, ele é engraçado, conta histórias engraçadas sobre a mamãe quando ela era da minha idade, brinca comigo e mesmo sendo um dia para ele, ele me dá um presentinho, seja um brinquedo novo, uma roupa ou sapato ou um doce. Ele é incrível. À noite, fazemos ligação pro vovô Fernando, ele ainda parece bravo com a Mama, mas ele sorri quando me vê, eu desejo feliz dia dos pais para ele e depois ele fala com a Mama. Também desejo dia dos pais para meu tio Josh, ele é como um pai para mim e também vai ter um bebê com a tia Any. Ele sempre vai nos almoços com o vovô Pepe também, já que ele é irmão gêmeo da minha mamãe, e é tudo muito divertido. Então eu não sou coitadinha por não ter pai, eu me sinto sortuda por ser filha de duas mães. Mamãe diz que eu sou um anjinho que veio para ajudar elas e que é por minha causa que elas se amam, eu me sinto muito feliz, eu sou a razão pela qual minhas duas mamães se amam. – Evangeline solta um longo suspiro e encara a plateia. Alguns estavam com os olhos cheios de lágrimas e poucos pareceram não se abalar, entretanto, ela não notou e continuou. – O mês de Junho é o mês do orgulho e mama disse que orgulho significa ser feliz e contente em como somos ou o que fazemos, eu digo que eu tenho orgulho pelo que tenho, orgulho da minha família arco-íris que me ama e cuida de mim e é isso que importa. Desejo à todos os pais um feliz dia dos pais e à minhas mamães, feliz mês do orgulho, eu amo vocês. Sabina e Joalin se levantaram aplaudindo e outros pais se levantaram também, exceto os pais de Harry, que não se sentiu tocado pelo discurso, mas aquilo não importava. A professora enxugou uma lágrima e se aproximou de Evangeline que sorriu com os olhinhos brilhando e encolhendo os ombros, feliz por seu discurso ter tocado às pessoas. Na saída, vários pais parabenizaram Joalin e Sabina pela filha inteligente e pela família que tinham construído, as duas não sabiam como parar de sorrir e ao mesmo tempo choravam de orgulho de sua pequena, mesmo que, a família de Harry ainda encarasse aquela família tão linda e repleta de amor, com tanto desprezo. Sabiam que Evangeline não seria capaz de mudar o pensamento de todos, mas sabiam que ela saberia como conquistar e encantar à muitos, e fazê-los perceber o quanto uma família como a dela, era como qualquer outra família cheia de amor, carinho e cumplicidade, e o mais importante; A menina era feliz com a família que tinha.  
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD