Capítulo 13

1192 Words
O sol da manhã entrava suave pelas janelas quando Rebeca ainda sorria sozinha, lembrando de cada detalhe da noite anterior. O coração leve, o corpo relaxado… e a certeza de que algo havia mudado de verdade. Pouco depois, a campainha tocou. — Já sei quem é… — disse ela, rindo, enquanto ia abrir a porta. Carla entrou animada, já com aquele olhar curioso. — Anda, desembucha! Quero saber TUDO! Rebeca tentou se fazer de difícil por alguns segundos, mas não conseguiu segurar o sorriso. — A gente tá junto, Carla… tipo… junto mesmo. Namorando sério. Carla abriu um sorriso enorme e praticamente pulou nela, abraçando forte. — Eu sabia! Amiga, eu sabia! Você merece demais! As duas riram, e enquanto tomavam um café rápido, Rebeca contou cada detalhe da noite — os olhares, o carinho, a conexão… tudo parecia intenso e verdadeiro. — Ele é diferente, Carla… — disse Rebeca, com os olhos brilhando. — Eu sinto isso. — E eu tô vendo, amiga. Tá na sua cara. Pouco depois, seguiram juntas para a loja. O dia começou movimentado, clientes entrando, roupas sendo organizadas, conversas leves entre uma venda e outra. Mas, mesmo ocupada, Rebeca não conseguia esconder a felicidade. Do outro lado da cidade, o cenário era completamente diferente. Uma fumaça densa subia no céu. O incêndio tomava conta de um prédio comercial, e o caos se espalhava pelas ruas ao redor. Sirenes ecoavam por todos os lados. Rafael e sua equipe chegaram rapidamente. — Vamos, pessoal! Tem gente lá dentro! — gritou ele, já colocando o equipamento. Leandro, Lucas e Roberto estavam logo atrás, preparados. O calor era intenso, o fogo se espalhava rápido. Pessoas gritavam, algumas presas nos andares superiores. Rafael entrou sem hesitar. — Foco! Um passo de cada vez! Eles começaram o resgate, retirando vítimas, orientando quem ainda estava consciente. Tudo parecia sob controle… até que o novato, nervoso e inexperiente, cometeu um erro. Ele abriu uma passagem errada, permitindo que o fogo ganhasse ainda mais força em uma área crítica. — NÃO! — gritou Leandro. Em segundos, tudo saiu do controle. Uma explosão parcial fez a estrutura tremer. Parte do teto cedeu. — TODO MUNDO PRA FORA! — Roberto avisou. Mas nem todos conseguiram sair a tempo. Rafael percebeu o perigo imediatamente. Seu olhar mudou — foco total. — Segue minhas ordens! AGORA! Ele reorganizou a equipe em segundos, guiando cada movimento com precisão. Mesmo com o risco aumentando, ele voltou para dentro para ajudar quem ficou preso. O tempo parecia desacelerar. Com esforço, estratégia e sangue frio, Rafael conseguiu corrigir a situação. Um a um, eles foram saindo. Tossindo, cansados… mas vivos. Do lado de fora, o silêncio por um segundo. Depois, o alívio. — Cara… a gente quase… — Lucas tentou falar, ainda ofegante. Rafael respirava fundo, olhando para o prédio em chamas. — Mas não aconteceu… — respondeu ele, firme. Enquanto isso, sem saber do que havia acontecido, Rebeca atendia mais um cliente, sorrindo… completamente alheia ao perigo que Rafael tinha acabado de enfrentar. Mas, no fundo, algo dentro dela parecia inquieto… como se o coração sentisse que nem tudo estava tão calmo quanto parecia. E aquele dia ainda estava longe de terminar… O movimento na loja seguia tranquilo, até que o celular de Carla vibrou insistente no balcão. Ela olhou a tela e franziu a testa. — Rebeca… teve um incêndio grande na cidade… Rebeca parou na hora, sentindo um aperto no peito sem nem saber por quê. — Incêndio? Onde? Carla continuou lendo, o semblante mudando. — Diz que o corpo de bombeiros foi chamado… equipe completa… As duas se olharam. Não precisaram dizer mais nada. — É o Rafael… — Rebeca sussurrou, já pegando a bolsa com as mãos trêmulas. Em poucos minutos, fecharam a loja às pressas e seguiram direto para o hospital. O caminho pareceu uma eternidade. Quando chegaram, o ambiente estava agitado. Enfermeiros indo e vindo, cheiro forte de antisséptico, pessoas esperando por notícias. Rebeca olhava para todos os lados, o coração acelerado. — Meu Deus… cadê eles… Foi quando Carla tocou no braço dela. — Ali! No corredor, encostado na parede, estava Lucas. O uniforme ainda sujo de fuligem, alguns curativos pelo braço e testa. — Lucas! — Carla chamou, se aproximando rápido. Ele levantou o olhar e tentou sorrir. — Ei… calma, tá tudo bem… — Como “tá tudo bem”? A gente quase morreu de preocupação! — Carla disse, já aliviada e ao mesmo tempo nervosa. Rebeca foi direto ao ponto: — E o Rafael? Lucas apontou com a cabeça para uma sala logo à frente. — Tá sendo atendido… junto com o Roberto. Foi feio lá dentro… mas eles estão bem. Rebeca sentiu as pernas ficarem fracas por um segundo, mas respirou fundo. — Eu preciso ver ele… — Daqui a pouco liberam — Lucas respondeu, com voz mais calma. Os minutos de espera pareceram horas. Carla andava de um lado pro outro, enquanto Rebeca permanecia sentada, inquieta, olhando fixamente para a porta. Até que, finalmente, ela se abriu. Rafael saiu primeiro, com alguns curativos no braço e no rosto, visivelmente cansado… mas de pé. No mesmo instante, os olhos dele encontraram os de Rebeca. — Você tá bem… — ela disse, quase num sussurro, já se aproximando. — Tô… agora tô — ele respondeu, com um leve sorriso. Rebeca não pensou duas vezes. O abraçou forte, como se precisasse ter certeza de que ele estava ali, inteiro. — Nunca mais me dá um susto desses… Rafael fechou os olhos por um segundo, sentindo o abraço. — Eu prometo tentar… Carla, ao lado, já conversava com Roberto, também aliviada ao ver que ele estava bem. Depois de algum tempo, o clima foi se acalmando. Os médicos deram as orientações, liberando eles para irem pra casa descansar. Rafael pegou suas coisas, pronto para ir embora, mas Rebeca cruzou os braços, firme. — Você não vai sozinho. Ele arqueou a sobrancelha, com um leve sorriso. — Ah, não? — Não. Você vai pra casa… e eu vou junto. — Rebeca, eu tô bem… — Eu sei. Mas hoje você não discute comigo. Carla riu de leve ao fundo. — Ih, perdeu, viu… Rafael suspirou, rendido. — Tá bom… você venceu. Já do lado de fora, o ar da noite parecia mais leve depois de tudo. Mas, por dentro, Rebeca ainda sentia o impacto do medo que passou. Na casa dele, ela fez questão de cuidar de tudo. Ajudou com os curativos, organizou um canto pra ele descansar, trouxe água… e ficou ali, perto. — Você salvou todo mundo, né? — ela perguntou, olhando pra ele com admiração. Rafael deu um leve sorriso, cansado. — A gente salvou… foi trabalho em equipe. Rebeca se aproximou mais, sentando ao lado dele. — Mesmo assim… eu tenho muito orgulho de você. Ele segurou a mão dela, olhando nos olhos. — E eu tenho sorte de ter você comigo. O silêncio que se seguiu não era vazio… era conforto. E naquela noite, mais do que nunca, os dois entenderam o quanto a vida podia mudar em segundos… e o quanto valia a pena aproveitar cada momento juntos.
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