Capítulo 11

1065 Words
O telefone ainda parecia vibrar na mão de Priscila, mesmo minutos depois de ela ter desligado. O pedido de namoro de Rafael não saia da saia da mente dela como uma música que não saía da cabeça. Ela tentou se concentrar, respirou fundo e olhou ao redor do quarto, como se o mundo precisasse confirmar que aquilo tinha mesmo acontecido. — Ele me pediu em namoro… — sussurrou para si mesma, com um sorriso involuntário surgindo nos lábios. — E aí? — Carla cruzou os braços, sorrindo de canto. — Não vai me contar nada? Priscila tentou disfarçar, organizando algumas peças de roupa. — Contar o quê? Carla soltou uma risada. — Ah, me poupa, Priscila. Desde ontem você tá com essa cara… aconteceu alguma coisa com o Rafael, né? Priscila respirou fundo, mas não conseguiu segurar o sorriso. —Me pediu em namoro. Carla arregalou os olhos, levando a mão à boca. — O quê?! Amiga, eu sabia! Eu sabia! Priscila riu, meio tímida, meio feliz. — Eu ainda nem sei o que pensar direito… parece que foi tudo tão rápido. — Rápido nada e você aceitou, né? Priscila hesitou por um segundo, lembrando da voz de Rafael, da forma como ele falou com tanta certeza… — Aceitei. Carla deu um gritinho animado, batendo palminhas. — Finalmente! Agora sim essa história tá ficando boa! Enquanto isso, do outro lado da cidade, Rafael também tentava seguir o dia normalmente — o que era praticamente impossível. Vestido com o uniforme de bombeiro, ele estava no quartel, conferindo equipamentos, mas a mente estava longe. Cada detalhe da ligação com Priscila voltava como um filme: a pausa antes da resposta, o jeito doce dela dizer “sim”… Roberto percebeu a distração. — Ô Rafael, tá sonhando acordado, é? Ele soltou um leve sorriso. — Tô não… só pensando. — Pensando em quem, né? — Roberto o provocou. Rafael não respondeu, mas o sorriso entregou tudo. O dia seguiu, mas arrastado para os dois. Priscila atendia clientes, organizava a loja, mas se pegava olhando o celular a cada poucos minutos. Já Rafael, entre uma tarefa e outra, sentia uma vontade crescente de vê-la, como se só a voz não fosse suficiente. No fim da tarde, já dentro do caminhão de bombeiro, depois de um turno relativamente tranquilo, Rafael tomou uma decisão impulsiva. — Dá uma paradinha ali na próxima rua — ele disse ao Lucas. — Pra quê? — Só confia. O caminhão virou a esquina… e lá estava a loja. Priscila estava atrás do balcão quando ouviu um barulho diferente do lado de fora. Não era comum um caminhão de bombeiro parar ali. Curiosa, ela levantou o olhar — e o coração disparou no mesmo instante. Rafael desceu do caminhão. Por um segundo, ela achou que estava imaginando. — Não é possível… — murmurou. Carla, que estava perto da porta, viu também e abriu um sorriso enorme. — Amiga… acho que seu namorado chegou. Priscila nem conseguiu responder. Seus pés se moveram quase sozinhos em direção à porta. Rafael entrou, ainda com parte do uniforme, olhando diretamente para ela. Havia algo no olhar dele — uma mistura de certeza, saudade e um carinho impossível de esconder. — Oi… — ele disse, meio sem jeito, mas sorrindo. Priscila parou a poucos passos dele. — Você… tá trabalhando. — Tô — ele deu de ombros. — Mas passei aqui rapidinho. Ela cruzou os braços, tentando parecer calma, mas o sorriso a traía. — Só pra isso? Rafael se aproximou um pouco mais. — Não consegui ficar sem te ver. A frase foi simples, mas bateu forte. Priscila sentiu o coração acelerar ainda mais. — Você é maluco… — disse, rindo baixinho. — Sou — ele respondeu, sem tirar os olhos dela. — Mas agora sou seu maluco. Carla, ao fundo, fez um gesto discreto como se estivesse comemorando, mas resolveu dar espaço. Priscila olhou ao redor, um pouco envergonhada, e depois voltou o olhar para ele. — E se alguém vê? — Então vai ver — Rafael respondeu com tranquilidade. — Eu não tenho problema nenhum em dizer que você é minha namorada. A palavra “namorada” fez tudo parecer ainda mais real. Priscila abaixou o olhar por um instante, sorrindo, e depois voltou a encará-lo. — Você fala isso com tanta facilidade… — Porque é verdade. Houve um silêncio breve, mas cheio de significado. Então, sem pensar muito, Priscila deu um passo à frente e o abraçou. Rafael a envolveu com os braços na mesma hora, como se já estivesse esperando por aquilo o dia inteiro. — Eu também não consegui parar de pensar em você — ela confessou, com a voz baixa. Ele sorriu, encostando o rosto no cabelo dela. — Ainda bem. Do lado de fora, o caminhão aguardava, e o tempo era curto e Carla aproveitou para ir dar um beijo no Roberto. Mas, naquele momento, parecia que nada mais importava para os quatro. — Eu tenho que voltar — Rafael disse, embora claramente não quisesse. — Eu sei… — Mais tarde eu te ligo. — Vou esperar. Ele deu um último sorriso, daqueles que diziam mais do que qualquer palavra, e saiu da loja. Priscila ficou parada na porta, observando ele subir no caminhão. Quando o veículo começou a se afastar, ela levou a mão ao peito, sentindo o coração ainda acelerado. Carla apareceu ao lado dela. — Amiga… isso aí não é só começo de namoro não, viu? Priscila sorriu, ainda olhando para onde ele estava. — Eu sei,mas você gostou que aproveitou a oportunidade para ir dar uns beijos no Roberto também. —Claro,e eu sou b***a,mas no caminhão tava o Lucas e o Leandro também. —O Rafael comentou que eles trabalham juntos. —É amiga a gente é namorada de bombeiro agora,tem muitas mulheres que queriam estar no nosso lugar. Rebeca ouviu o comentário Carla fez e , pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que aquilo podia ser algo realmente forte — algo que valia a pena viver, sem medo. Mesmo que um relacionamento fosse complicado… naquele momento ela queria acredita e viver cada segungo, ao lado dele era exatamente onde ela queria estar, e seguiu assim um pensando no outro,lembrando de cada palavra e cada gesto,e ficavam contando as horas para estarem novamente juntos. Carla também estava muito animada em estar namorando com o Roberto
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