O telefone ainda parecia vibrar na mão de Priscila, mesmo minutos depois de ela ter desligado. O pedido de namoro de Rafael não saia da saia da mente dela como uma música que não saía da cabeça. Ela tentou se concentrar, respirou fundo e olhou ao redor do quarto, como se o mundo precisasse confirmar que aquilo tinha mesmo acontecido.
— Ele me pediu em namoro… — sussurrou para si mesma, com um sorriso involuntário surgindo nos lábios.
— E aí? — Carla cruzou os braços, sorrindo de canto. — Não vai me contar nada?
Priscila tentou disfarçar, organizando algumas peças de roupa.
— Contar o quê?
Carla soltou uma risada.
— Ah, me poupa, Priscila. Desde ontem você tá com essa cara… aconteceu alguma coisa com o Rafael, né?
Priscila respirou fundo, mas não conseguiu segurar o sorriso.
—Me pediu em namoro.
Carla arregalou os olhos, levando a mão à boca.
— O quê?! Amiga, eu sabia! Eu sabia!
Priscila riu, meio tímida, meio feliz.
— Eu ainda nem sei o que pensar direito… parece que foi tudo tão rápido.
— Rápido nada e você aceitou, né?
Priscila hesitou por um segundo, lembrando da voz de Rafael, da forma como ele falou com tanta certeza…
— Aceitei.
Carla deu um gritinho animado, batendo palminhas.
— Finalmente! Agora sim essa história tá ficando boa!
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Rafael também tentava seguir o dia normalmente — o que era praticamente impossível.
Vestido com o uniforme de bombeiro, ele estava no quartel, conferindo equipamentos, mas a mente estava longe. Cada detalhe da ligação com Priscila voltava como um filme: a pausa antes da resposta, o jeito doce dela dizer “sim”…
Roberto percebeu a distração.
— Ô Rafael, tá sonhando acordado, é?
Ele soltou um leve sorriso.
— Tô não… só pensando.
— Pensando em quem, né? — Roberto o provocou.
Rafael não respondeu, mas o sorriso entregou tudo.
O dia seguiu, mas arrastado para os dois. Priscila atendia clientes, organizava a loja, mas se pegava olhando o celular a cada poucos minutos. Já Rafael, entre uma tarefa e outra, sentia uma vontade crescente de vê-la, como se só a voz não fosse suficiente.
No fim da tarde, já dentro do caminhão de bombeiro, depois de um turno relativamente tranquilo, Rafael tomou uma decisão impulsiva.
— Dá uma paradinha ali na próxima rua — ele disse ao Lucas.
— Pra quê?
— Só confia.
O caminhão virou a esquina… e lá estava a loja.
Priscila estava atrás do balcão quando ouviu um barulho diferente do lado de fora. Não era comum um caminhão de bombeiro parar ali. Curiosa, ela levantou o olhar — e o coração disparou no mesmo instante.
Rafael desceu do caminhão.
Por um segundo, ela achou que estava imaginando.
— Não é possível… — murmurou.
Carla, que estava perto da porta, viu também e abriu um sorriso enorme.
— Amiga… acho que seu namorado chegou.
Priscila nem conseguiu responder. Seus pés se moveram quase sozinhos em direção à porta.
Rafael entrou, ainda com parte do uniforme, olhando diretamente para ela. Havia algo no olhar dele — uma mistura de certeza, saudade e um carinho impossível de esconder.
— Oi… — ele disse, meio sem jeito, mas sorrindo.
Priscila parou a poucos passos dele.
— Você… tá trabalhando.
— Tô — ele deu de ombros. — Mas passei aqui rapidinho.
Ela cruzou os braços, tentando parecer calma, mas o sorriso a traía.
— Só pra isso?
Rafael se aproximou um pouco mais.
— Não consegui ficar sem te ver.
A frase foi simples, mas bateu forte.
Priscila sentiu o coração acelerar ainda mais.
— Você é maluco… — disse, rindo baixinho.
— Sou — ele respondeu, sem tirar os olhos dela. — Mas agora sou seu maluco.
Carla, ao fundo, fez um gesto discreto como se estivesse comemorando, mas resolveu dar espaço.
Priscila olhou ao redor, um pouco envergonhada, e depois voltou o olhar para ele.
— E se alguém vê?
— Então vai ver — Rafael respondeu com tranquilidade. — Eu não tenho problema nenhum em dizer que você é minha namorada.
A palavra “namorada” fez tudo parecer ainda mais real.
Priscila abaixou o olhar por um instante, sorrindo, e depois voltou a encará-lo.
— Você fala isso com tanta facilidade…
— Porque é verdade.
Houve um silêncio breve, mas cheio de significado.
Então, sem pensar muito, Priscila deu um passo à frente e o abraçou.
Rafael a envolveu com os braços na mesma hora, como se já estivesse esperando por aquilo o dia inteiro.
— Eu também não consegui parar de pensar em você — ela confessou, com a voz baixa.
Ele sorriu, encostando o rosto no cabelo dela.
— Ainda bem.
Do lado de fora, o caminhão aguardava, e o tempo era curto e Carla aproveitou para ir dar um beijo no Roberto. Mas, naquele momento, parecia que nada mais importava para os quatro.
— Eu tenho que voltar — Rafael disse, embora claramente não quisesse.
— Eu sei…
— Mais tarde eu te ligo.
— Vou esperar.
Ele deu um último sorriso, daqueles que diziam mais do que qualquer palavra, e saiu da loja.
Priscila ficou parada na porta, observando ele subir no caminhão. Quando o veículo começou a se afastar, ela levou a mão ao peito, sentindo o coração ainda acelerado.
Carla apareceu ao lado dela.
— Amiga… isso aí não é só começo de namoro não, viu?
Priscila sorriu, ainda olhando para onde ele estava.
— Eu sei,mas você gostou que aproveitou a oportunidade para ir dar uns beijos no Roberto também.
—Claro,e eu sou b***a,mas no caminhão tava o Lucas e o Leandro também.
—O Rafael comentou que eles trabalham juntos.
—É amiga a gente é namorada de bombeiro agora,tem muitas mulheres que queriam estar no nosso lugar.
Rebeca ouviu o comentário Carla fez e , pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que aquilo podia ser algo realmente forte — algo que valia a pena viver, sem medo.
Mesmo que um relacionamento fosse complicado… naquele momento ela queria acredita e viver cada segungo, ao lado dele era exatamente onde ela queria estar, e seguiu assim um pensando no outro,lembrando de cada palavra e cada gesto,e ficavam contando as horas para estarem novamente juntos.
Carla também estava muito animada em estar namorando com o Roberto