Capítulo 9

1030 Words
Rafael manteve o olhar fixo em Rebeca, como se estivesse esperando uma resposta que fosse além das palavras. A música ao redor parecia mais distante agora, abafada pelo som do próprio coração dela batendo mais rápido. — Continuar a conversa? — ela repetiu, tentando disfarçar o nervosismo com um leve sorriso. — É… — ele disse, se aproximando um pouco mais, apoiando o braço na mesa. — A gente meio que começou uma história ali atrás… quando eu virei seu “namorado”. Rebeca soltou uma risada baixa. — História improvisada, né? — Às vezes as melhores começam assim. Aquilo fez ela abaixar o olhar por um segundo. Não era só uma cantada qualquer… tinha algo mais ali. Algo que deixava tudo mais intenso. — E como você imagina que essa história continua? — ela perguntou, levantando os olhos de volta pra ele. Rafael pensou por um instante, como se realmente estivesse considerando aquilo com cuidado. — Acho que… sem mentira dessa vez. Rebeca sentiu o corpo inteiro arrepiar de leve. — Sem mentira? — É. Sem precisar fingir nada pra ninguém. Só… a gente conversando de verdade. Ela respirou fundo, apoiando os cotovelos na mesa. — E sobre o que você quer conversar? Rafael sorriu de canto. — Sobre você. — Sobre mim? — Uhum. Eu percebi que você tenta parecer tranquila… mas guarda muita coisa. Rebeca ficou em silêncio. Aquilo foi direto demais. Preciso demais. — Você me conhece há o quê… duas horas? — Tempo suficiente pra perceber algumas coisas. Ela desviou o olhar, mas não negou. Antes que pudesse responder, um barulho de gritos e risadas veio da piscina. Alguém tinha escorregado e caído de um jeito engraçado, e o pessoal estava indo à loucura. A festa seguia viva, intensa… mas ali, naquela mesa, o clima era outro. Mais calmo. Mais íntimo. — E você? — Rebeca perguntou, tentando mudar o foco. — O que você esconde? Rafael arqueou a sobrancelha. — Agora virou entrevista? — Equilíbrio — ela respondeu, sorrindo. — Você perguntou de mim… eu pergunto de você. Ele riu, passando a mão na nuca. — Eu escondo menos do que parece. — Duvido. — Sério. Eu sou mais direto. — Tipo fingir ser meu namorado? Ele riu mais uma vez. — Tá, aquilo foi estratégia. Rebeca se inclinou um pouco mais pra frente. — E agora? Também é estratégia? A pergunta ficou no ar. Rafael não respondeu de imediato. Ele apenas se aproximou mais um pouco… o suficiente pra diminuir o espaço entre eles. — Não — ele disse, com a voz mais baixa. — Agora é vontade. O mundo pareceu desacelerar. Rebeca sentiu o coração disparar de novo… mas não recuou. Pelo contrário. Ela ficou ali. Presente. Sentindo cada segundo. Mas antes que a tensão entre os dois chegasse ao limite— — REBECAAAAA! — a voz de Carla cortou o momento como um raio. Os dois se afastaram levemente, quase ao mesmo tempo. Carla voltou correndo, segurando o braço de Roberto, completamente elétrica. — Vocês não vão acreditar! — O que foi agora? — Rebeca perguntou, tentando esconder o sorriso nervoso. Carla puxou uma cadeira sem pedir licença. — O Leandro foi embora de vez! Rebeca franziu a testa. — Como assim? — A namorada dele surtou total! Disse que não confia nele, fez um escândalo lá fora… e ele simplesmente entrou no carro com ela e foi embora. Rafael soltou um suspiro leve. — Era meio óbvio que ia dar r**m. — Mas tem mais — Carla continuou, com os olhos brilhando de fofoca. — Ela falou um monte de coisa de você, Rebeca… mas o Rafael respondeu tudo na frente de todo mundo. Rebeca olhou pra ele, surpresa. — Você fez isso? Rafael deu de ombros. — Só falei a verdade. — Que verdade? Ele sustentou o olhar dela. — Que você não fez nada de errado… e que o problema não era você. Aquilo mexeu de novo com ela. Mais do que antes. Carla cruzou os braços, sorrindo de lado. — Sério, eu tô começando a gostar muito desse menino. — Carla… — Rebeca murmurou, meio sem graça. — Tô falando sério! — ela insistiu. — Ele te defendeu duas vezes já. Isso não é comum. Rafael riu, meio desconcertado. — Eu só fiz o que qualquer pessoa faria. — Não faria não — Carla respondeu rápido. — A maioria só assiste. O silêncio caiu por um segundo. Mas não era pesado. Era cheio de significado. Rebeca olhou pra Rafael mais uma vez. Dessa vez, com menos dúvida. E mais certeza. — Você quer… dar uma volta? — ela perguntou de repente. Carla abriu um sorriso gigante. — EU SABIA! — Carla! — Rebeca tentou conter. Rafael se levantou, estendendo a mão pra ela. — Eu quero. Rebeca hesitou por meio segundo… mas então segurou a mão dele. E se levantou. Enquanto os dois se afastavam da mesa, indo em direção a uma parte mais tranquila da casa, longe do barulho e da agitação, Carla ficou olhando com cara de missão cumprida. — Finalmente — ela murmurou, antes de voltar a atenção pra Roberto. Do lado de fora, o ar estava mais fresco. A música ainda dava pra ouvir… mas distante. Mais suave. Rafael e Rebeca caminharam lado a lado por alguns segundos em silêncio. Mas dessa vez, o silêncio não era dúvida. Era expectativa. — Então… — ele começou. — Agora sem plateia. Rebeca sorriu. — Agora sem mentira. Ele parou de andar. Ela também. Os dois ficaram frente a frente. Mais próximos do que antes. Mais conectados. E naquele momento, longe do caos da festa, longe dos olhares e dos julgamentos… tudo parecia mais simples. Mais real. — Posso te fazer uma pergunta de verdade agora? — Rafael disse. Rebeca assentiu. — Pode. Ele respirou fundo, como se aquela pergunta fosse importante. — Se eu não tivesse mentido lá dentro… você ainda estaria aqui comigo agora? Rebeca não respondeu na hora. Ela apenas deu um pequeno passo à frente. Diminuindo ainda mais a distância. — Estaria — ela disse, com a voz baixa. Rafael sorriu. E dessa vez… não tinha mais motivo pra fingir nada.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD