o início

431 Words
Filha, acorda, olha a hora... Era assim que eu estava acostumada a levantar. O despertador despertava, mas eu sempre desligava. Eu já tinha uma rotina intensa de virar todas as noites estudando para conseguir uma bolsa na universidade mais prestigiada de Los Angeles. — Filha, já levantou? — a voz veio alta atrás da porta. — Sim, pai. Obrigada, pode ir trabalhar. — Certo, princesa. Beijos, tenha um ótimo dia. — O senhor também, meu pai! Me levantei já indo tomar uma ducha rápida e me arrumei para a escola. Há dois anos eu comecei a vender brigadeiros para ter uma renda para mim. Meu pai sempre que podia me dava um dinheiro, mas eu nunca gostei de ficar pedindo, principalmente para minhas coisas de higiene íntima. Então, com o dinheiro dos brigadeiros, eu pude começar a comprar as coisinhas que eu tanto precisava sem incomodar meu pai. O caminho da escola era longo, cerca de uma hora de bicicleta, então eu aproveitava e já ia vendendo meus brigadeiros pela manhã. Sete horas da manhã e o sol já estava castigando, mas lá ia eu em cima da bicicleta, usando uma calça jeans, uma blusinha e a mochila nas costas. Eu estava indo muito bem pelo acostamento quando, do nada, um carro bateu em mim, fazendo eu cair... — p***a! — gritei assustada quando bati a perna na lateral da calçada. — Ai... ei, i****a! Está cego, p***a? O homem apenas buzinou e nem desceu do carro. Olhei indignada, mas ele simplesmente arrancou com o carro. — Ai, que idiota... — sussurrei indignada. Me apoiei no chão e sussurrei para mim mesma: — Vamos, Vanessa, levanta... Mais à frente, parei na casa de uma adorável senhora que todos os dias comprava cinco brigadeiros para me ajudar. — Bom dia, querida — disse ela com um sorriso, já me aguardando. — Bom dia, senhora Luiza. Desculpe a demora, um carro bateu em mim e acabei me machucando... — Meu Deus! Mas você está bem, minha filha? — Sim, senhora — respondi tentando disfarçar. — Só minha perna que dói, mas estou bem. — Aqui estão os doces da senhora. Ela sorriu, me entregando o dinheiro e reforçando o cuidado. — Vanessa, tome muito cuidado. Tem muitos doidos na rua, tá, filha? — Sim... a senhora está certa. Vou me cuidar — completei sorrindo e me virei para ir embora. No caminho, passei em outras casas que também já tinham o costume de comprar meus doces pela manhã. Não parece um bom jeito de contar minha história, mas foi assim que tudo começou.
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