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Faria de Novo: Um amor que sobrevive

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Blurb

Helena nunca foi o tipo de mulher que escolhe o caminho mais fácil.

Enfermeira por vocação, ela sempre acreditou que salvar uma vida vale qualquer risco. Foi essa certeza que a levou a desafiar protocolos, enfrentar pessoas perigosas e tomar decisões que muitos chamaram de irresponsáveis. Ela ouviu julgamentos, perdeu pessoas, carregou culpa e pagou um preço alto por seguir a própria consciência.

Mas algumas escolhas não podem ser desfeitas.

Quando o passado retorna na forma de um ex-marido incapaz de aceitar o fim do casamento, Helena percebe que a maior batalha da sua vida não será dentro de uma UTI, mas pela própria liberdade. Enquanto tenta proteger quem ama, ela encontra em Gabriel alguém que jamais tenta decidir por ela. Pela primeira vez, amar não significa abrir mão de si mesma.

Entre perseguições, perdas, reencontros e recomeços, Helena descobrirá que coragem nem sempre é vencer. Às vezes, coragem é continuar escolhendo o que parece certo, mesmo quando ninguém mais acredita em você.

Porque algumas histórias de amor não sobrevivem por serem perfeitas.

Elas sobrevivem porque duas pessoas decidem permanecer uma ao lado da outra, apesar das cicatrizes.

E, quando finalmente encontram o caminho de casa, existe apenas uma certeza:

Elas fariam tudo de novo.

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Gabriel
O escritório cheirava a café forte e papel recém-impresso. Do lado de fora, a cidade já vibrava com o Carnaval, mas ali dentro só existia disciplina. — Marcos e Adriano, vocês vão para a boate Feitiço. Encarei ambos. — Sabem como o dono de lá é. Façam o serviço e não se metam em problemas. — Fica tranquilo, chefe. É Carnaval. Marcos piscou e eu quase sorri. — Tranquilo é uma palavra que não existe no meu vocabulário. Alguns riram. — Lúcio e Fabrício, Bar do Muvuca. Meu olhar parou nele, Lúcio estava quieto demais. Silencioso demais. Quem conhecia aquele homem sabia que ele não passava cinco minutos sem fazer uma piada. — Os outros vão para o sambódromo, vocês são dez. Andem em dupla. Não andem sozinhos. E não banquem heróis. Entendido? Eles bateram continência, imitando meu passado militar. — Sim, senhor! A sala esvaziou em meio a risadas, antes que Lúcio saísse, falei. — Lúcio. Fica. A porta fechou com um clique seco. O barulho ecoou mais do que deveria. — O que está acontecendo? Perguntei. — Você está estranho. Ele passou a mão no rosto, parecia nervoso. Isso não era comum. — Eu só estou cansado. Não gosto dessa época do ano. As pessoas acham que podem fazer qualquer besteira. — Sei que tem mais. Silêncio. O tipo de silêncio que antecede desastre. — Descobri umas coisas… Ele falou baixo. — E estou investigando. Se for verdade… a firma vai estar no meio do fogo cruzado. Senti o estômago endurecer. — A minha firma? Por quê? O que você descobriu? — Calma. Eu ainda não tenho provas. Não gosto de falar sem ter certeza. — É o meu nome, Lúcio. Ele me encarou e ali estava algo que eu nunca havia visto antes. Medo. — Justamente por isso. Somos amigos desde o Iraque. Eu não vou deixar nada respingar em você. O ar ficou pesado e naquele momento tive certeza de duas coisas: Ele estava escondendo algo. E era grande o suficiente para fazê-lo parar de fazer piadas. Lúcio saiu e eu fiquei com aquela dúvida martelando na cabeça. — A primeira noite de Carnaval nunca é tranquila. Passei de ponto em ponto como sempre faço. Não confio em relatórios. Confio nos meus olhos. Primeiro a boate Feitiço. Cumprimentei o segurança da porta com um aceno discreto. Lá dentro, luzes roxas, cheiro de álcool caro e perfume doce demais. Marcos e Adriano estavam atentos. Algumas mulheres olharam. Sempre olham. Altura, postura, cicatrizes invisíveis. A farda saiu de mim, mas nunca saiu de dentro. Mas naquela noite eu não queria distração. Estava inquieto. Passei no sambódromo, gente demais. Música vibrando no peito. Só fui embora após verificar cada um dos meus homens. Já era madrugada quando cheguei ao Bar do Muvuca. E ali não tinha festa. Tinha caos. Gente gritando. Cadeiras viradas. Copos quebrados. E homens. Vários homens. Batendo em alguém no chão. Meu estômago gelou. Onde estavam meus seguranças? Aproximei e então vi. Lúcio. Imóvel. Sangue no rosto e os golpes continuavam. Não pensei, entrei no meio. — CHEGA! Arma em punho. Os homens se afastaram alguns passos. Não muito. Tinham bebida demais no sangue e coragem demais emprestada. Outro homem era segurado por dois sujeitos maiores, não sei se para ajudar ou atrapalhar. Ele tentava avançar. Eu já estava ligando para a polícia e para a ambulância. — Saiam daqui agora ou vão todos para a cadeia. O homem cuspiu no chão. — Foi ele quem começou. Mexeu com a minha mulher. Olhei para Lúcio, caído no chão inconsciente. Conheço aquele homem há anos. Ele pode ser impulsivo. Mas não é burro e aquela versão estava limpa demais. Perfeita demais. — Você é policial, não é? Disse baixo, observando a postura, o corte de cabelo, a forma como os outros se posicionaram ao redor dele. O sorriso dele foi pequeno. — À paisana. Capitão Rocha/Narcóticos. Claro que era. A sirene começou a se aproximar. E ali, no meio da sujeira e da música que ainda tocava como se nada tivesse acontecido… Eu soube. Aquilo não havia sido só uma briga. Os paramédicos se ajoelharam ao lado de Lúcio, o colocaram na maca e foram em direção à ambulância. Eu queria ir junto, mas fiquei. Porque naquele momento eu não era amigo. Eu era dono da firma. O tal capitão já tinha recuperado a postura. Camisa aberta no peito, sem um arranhão. Conveniente. Uma mulher apareceu ao lado dele. Cabelo perfeito demais para quem teria acabado de se envolver numa briga. — Ele mexeu comigo. Ela disse, segurando o braço do policial. — Foi desrespeitoso. A voz dela não tremia. Nada ali parecia improvisado. Fabrício, que deveria estar ajudando Lúcio, apareceu vindo de dentro do bar. — O que você viu? Perguntei, olhando diretamente para ele. Ele estava parado próximo à porta. Sem sangue. Nem marca. Sem nada. — Eu… eu não vi nada, chefe. Havia ido ao banheiro, quando cheguei, já estavam brigando. Mentira ou medo, ainda não defini. Olhei de novo para o policial. — Seu segurança começou. Eu só reagi. Reagiu? Contra um homem sozinho? Com cinco? As luzes do bar piscavam. A música ainda tocava. Ninguém parecia disposto a ser testemunha. A ambulância fechou as portas, mas antes de fechar, vi a cabeça do Lúcio cair para o lado. Aquele movimento ficou gravado na minha mente. — Vamos apurar tudo. O policial disse, ajeitando o relógio. — Mas aconselho que controle melhor seus funcionários. Controle melhor. Eu só assenti, mas, por dentro, algo já estava girando. Algo não encaixava. Lúcio não faria aquilo. E aquela mulher… Parecia ensaiada e meu outro funcionário parecia cúmplice, vou ter que descobrir o que aconteceu aqui de verdade.

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