O restante da conversa não teve mais espaço para emoção descontrolada, porque, depois que a decisão foi tomada, tudo virou cálculo, risco e consequência. Mariana saiu daquela casa com a sensação de que não era mais a mesma pessoa que entrou; não havia mais inocência, não havia mais a ilusão de que aquilo poderia ser evitado, apenas a consciência clara de que cada passo dali em diante poderia custar tudo. No carro, o silêncio voltou, mas não era o mesmo de antes, não era carregado de dúvida, era um silêncio ativo, cheio de pensamento, de estratégia sendo construída em tempo real, de medo sendo engolido antes de virar fraqueza. Miguel dirigia com o olhar fixo na estrada, mas a mente estava longe dali, rodando cenários, avaliando riscos, tentando antecipar cada movimento possível de pessoas

