Acordo no horário de costume e depois de fazer minha higiene matinal, coloco minha roupa de corrida, meu tênis e saio para correr.
Enquanto meus passos acelerados vão entrando em contato com o asfalto, meus pensamentos vão seguindo o rumo de meu escritório.
Abro um sorriso ao lembrar de minha secretária, se eu contar cada uma das vezes que a vi revirando os olhos para mim, acabam os dedos das mãos. Sem contar em todas as vezes que eu a chamei de Eliza e ela ficava visivelmente irritada com isso.
Bom, no dia anterior eu descobri que gosto de irritar minha secretária.
Continuo minha corrida até chegar novamente em casa, entro e cumprimento mamãe que como sempre, já está descendo para preparar o café da manhã.
—A senhora deveria ficar mais na cama.
Digo enquanto tomo uma água.
—Eu sempre gostei de acordar cedo e preparar o café da manhã pra minha família, isso não vai mudar.
Dou mais um beijo nela.
—Já disse que te amo, mamãe?
Ela sorri.
—Não! Você não disse.
Solto uma risada.
—Pois eu amo! Amo muito, você e o papai.
Falo dando um beijo.
—Sei, sei. Eu também amo muito você, meu filho.
Dou mais um beijo nela e me afasto, indo para o quarto tomar um banho e me arrumar para o trabalho.
Hoje, mais uma vez o dia será cheio. Pela manhã terei várias reuniões e a tarde terei audiências e mais audiências. Mas bom, entre uma coisa e outra, terei Elouisa... E acho que com ela meu dia vai ser muito mais divertido.
Sorrio enquanto escolho meu relógio de pulso e depois de colocá-lo, sigo para a cozinha, onde meu pai também já está.
—Bom dia pai.
—Bom dia, meu filho. Como foi a corrida de hoje?
—Como sempre, revigorante!
Ele concorda e me sirvo de café.
—E a nova secretária?
Minha mãe pergunta se sentando ao lado de papai.
—Está indo bem, mas não posso elogiar muito. Afinal, foi apenas um dia não é mesmo?
Meu pai solta uma risada.
—Não seja tão duro com ela, ela só está lá pra fazer facilitar o seu trabalho.
Minha mãe fala.
—Mas não estou sendo duro com ela, só espero que ela faça muito bem o seu trabalho.
Dou um piscadinha pra mamãe que balança a cabeça.
—George, George.
Sorrio e fico em silêncio, tomando meu café. Meus pais me conhecem, sabem que quando eu quero ser insuportável, eu consigo ser excelente nisso.
—Quantos anos tem essa jovem?
Arqueio a sobrancelha.
—Não me lembro, por que?
Pergunto.
—Por nada, é que você só teve Olga como sua secretária, não é mesmo?
Dou de ombros.
—Sim, apenas Olga. Que era uma secretária excelente. Bom, vou pegar minha pasta e ir para o trabalho. Beijos família.
—Vá com Deus, meu filho.
—Bom trabalho.
Digo me levantando e vou até o quarto novamente. Coloco meu notebook dentro da pasta e desço novamente, indo para a garagem.
Entro no carro e saio dirigindo pelas ruas de São Paulo.
Quando estou chegando no prédio onde fica meu escritório, vejo Elouisa descer de um carro preto, onde um homem abre a porta.
Arqueio a sobrancelha, mas não posso observar muito, pois já tenho que entrar na garagem do prédio.
Estaciono e desço, indo para o elevador, assim que chega no Térreo, o mesmo para e Elouisa entra.
—Bom dia Doutor.
Ela diz, se posicionando ao meu lado. Tento ignorar o seu perfume, que predomina todo o elevador e apenas respondo.
—Bom dia, Eliza.
Ela me olha com a sobrancelha erguida, mas não diz nada. Apenas olha pra frente até o elevador chegar no nosso andar.
Deixo ela ir na minha frente e vou logo em seguida,.observando o movimento de seu corpo enquanto ela caminha.
Não me envolvo com pessoas do trabalho, mas o que me impede de apreciar a vista, não é mesmo?
Penso enquanto sigo para minha sala.
Depois de ligar meu computador, coloco meu notebook no outro lado da mesa e abro as persianas com o controle. Enquanto os aparelhos ligam, ligo pra Elouisa.
—Sim doutor?
—Venha até minha sala.
Digo e desligo.
—Com licença.
—Entre.
Aguardo ela fechar a porta e se aproximar.
—Como esta a agenda do dia Eliza?
Pergunto, já abrindo a página de processos em meu computador. Aguardo sua resposta, mas não recebo resposta alguma.
Olho pra ela, com a testa franzida.
—O que foi? O gato comeu sua língua?
Ela ergue a sobrancelha.
—O senhor falou comigo?
Estreito os olhos.
—Perguntei como está a agenda de hoje.
—Ah sim, é claro.
Ela diz abrindo a pequena agenda nas mãos e começa a me passar os primeiros clientes.
—É isso, a tarde o senhor só terá audiências, duas presenciais e o restante é online, aqui no escritório mesmo.
Balanço a cabeça concordando.
—Ótimo, assim que o primeiro cliente chegar, pode pedir pra ele entrar. Peço também que me imprima o processo dele, iremos estudar todo o processo para a audiência de hoje a tarde.
—Sim senhor.
Ela diz e sai.
Balanço a cabeça, espero que não me arrependa de ter contratado uma estrangeira, vai que bem na hora que os clientes chegam ela esqueça o que se fala em nossa língua.
Respiro fundo e começo a analisar todos os processos que preciso pra hoje.
Toc Toc.
—Entre.
—Aqui doutor.
Ela fala com aquele sotaque lindo, me entregando algumas páginas impressas.
—Obrigada.
—Seu primeiro cliente já chegou.
—Ótimo Eliza, pode pedir pra ele entrar.
Ela fica parada em minha frente.
Arqueio a sobrancelha.
—Qual o seu problema hoje?
Ela franze a testa.
—Meu problema? Absolutamente nada.
—E por que não foi pedir para meu cliente entrar?
Ela franze a testa.
—Ah, o senhor estava falando comigo?
Estreito os olhos para ela.
—Com quem mais eu falaria?
Ela dá de ombros.
—Não sei, não conheço nenhuma Eliza.
Ela fala de um jeito que tenta parecer inocente, mas sei que nem é tanto assim.
—Ah, então esse é o problema! Muito bem, Elouisa... Peça para seu Antônio entrar.
Ela abre um sorriso vitorioso.
—Muito melhor assim não acha? Com licença.
Ela diz, saindo da sala.
Fico olhando para a porta em minha frente, sem conseguir acreditar no que acabou de acontecer.