3-Elouisa

910 Words
—Que dia! Falo, me jogando na enorme cama de casal que me foi concedida na casa dos pais de Briana. Toc toc... —Pode entrar. Falo e vejo Briana aparecer na porta. —Oi Elou, vi quando você e Roger chegaram, vim saber como foi o primeiro dia de trabalho. Ela pergunta, se sentando ao meu lado e pega minha mão. Apesar do seu sorriso no rosto, é nítido em seus olhos a tristeza que ela carrega. —Amiga! Aquele homem, o que ele tem de lindo, ele tem de insuportável. Ela solta uma risada. —Meu Deus, Elouisa! É só o primeiro dia. Nego com a cabeça. —Você acredita que ele me chama de Eliza? Eu tenho cara de Eliza? Briana solta uma gargalhada. —Ele pode se confundir. Ela tenta ir a favor dele. —Uma ou duas vezes, eu acreditaria nisso. Mas o dia inteiro ele me chamou de Eliza, tão lindo, mas tão prepotente. Vejo Briana sr abrir em uma risada gostosa de se ouvir. —Aí amiga, só você mesmo pra me fazer rir desse jeito. Ela diz, secando as lágrimas. —E eu tô errada? Pois acabei de ter uma ideia, quero ver aquele advogado gostoso ficar tirando com minha cara. —Advogado gostoso, é? Hum, interessante. Me levanto e coloco as mãos na cintura. —Você ouviu o que eu disse? Pergunto e ela se ajeita na cama. —Sim, você disse que seu chefe é um advogado gostoso. —Insuportável! Prepotente! —E gostoso, tenho certeza que você falou isso também. Olho ainda mais incrédula pra ela. —Você, ao invés de me ajudar, fica aqui tirando com a minha cara também. Digo balançando a cabeça e vou até o closet. —É claro. Irei te ajudar no que for preciso e você sabe disso. Mas nada apaga o que você disse. Ela fala rindo. —Sei, sei... Digo e começo a procurar uma roupa para usar. —Mas enfim... Tô gostando do trabalho, tirando a parte que meu chefe é um insuportável, o resto é muito bom. Acho que eu vou me sair bem. —É claro que vai! Você é a melhor amiga, estou muito feliz por você. Ela me abraça. —Eu também, vamos conseguir superar tudo isso. Agora que arrumei um emprego, vou começar a procurar um cantinho para morar. Ela balança a cabeça. —Vamos juntas! Papai falou que está arrumando um apartamento pra gente morar. —Não quero dar trabalho. —Você não dá trabalho algum amiga! Pare com isso, você é minha família também. Vamos nos mudar juntas para um apartamento e refazer a nossa vida. Sorrio. —Já falei que te amo? Ela n**a com a cabeça. —Well, know that I love you! Much more than I say and much more than you imagine. (Pois saiba que te amo! Muito mais do que digo e muito mais do que voce imagina.) —Ah, minha estrangeira maluquinha, eu que te amo. Ela fala me apertando ainda mais no abraço. Ficamos assim por mais um tempo até eu ir tomar meu banho e colocar uma roupa pra gente descer. Jantamos todos juntos, como tem sido desde o dia em que chegamos ao Brasil. Todos ao redor da mesa, como uma verdadeira família. Sorrio pensando nisso. A família que eu sempre quis, eu encontrei! [....] 《Sonho》 —Não! Esse vestido não é pra você. Ouço a voz de minha mãe. —Mas... —Nem mas... Nem meio mas! Vá para o seu quarto. Você nem irá na festa, está querendo pegar o vestido de sua irmã? Deixe de ser invejosa. Sinto as lágrimas enchendo meus olhos. —Vai irmãzinha... E eu não quero ouvir ninguém chorando de madrugada, não é fácil manter a pele bonita, não preciso que você atrapalhe meus sonhos com seu choro. Mordo o interior de minha bochecha e sigo em direção ao meu quarto, me encolhendo na cama, enquanto as lágrimas me fazem companhia. 《Fim do sonho》 Abro meus olhos e afroxo o aperto de minhas mãos no travesseiro, afasto meu rosto do tecido, liberando a entrada de ar, voltando a respirar. Me sento em silêncio e pego o copo de água que tenho na mesinha ao lado da cama para beber. Quando minha respiração, finalmente se acalma e volta ao normal, vou até a enorme porta que dá acesso a sacada, mas não a abro. Nunca abri. Sempre fico ali, do lado de dentro, apenas olhando para a rua. Vejo que a luz do quarto de Briana se acende e logo vejo ela ir para a sacada. Tem sido assim, todas as noite ela tem pesadelos e seu refugio é a sacada. Não somos muito diferentes nesse ponto. Suspiro, me sentando no chão do quarto e fico ali, até o sono voltar a invadir meu corpo e volto pra cama. —Melhor dormir Elou... Não é fácil aturar a presunção de seu chefe gostoso. Digo insuportável! Insuportável Elouisa... E aturar isso com olheiras no rosto, deve ser ainda pior. Sorrio. Um único dia de trabalho e já tenho vontade de socar a cara de meu chefe. Abro um sorriso e fecho os olhos, me entregando ao sono que vem me invadindo outra vez. Dessa vez, diferente de todas as vezes em que tive pesadelos, o sono veio rápido e leve, consegui finalmente sentir um pouco de paz. Ao menos, naquele trecho de meu sonho.
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