06 — Mariana Narrando O sol estava estalando no alto da Rocinha e o churrasco no deck da nossa casa estava a todo vapor. Música alta, carne de primeira na grelha, cerveja trincando de gelada e as minhas amigas em volta, rindo e aproveitando o dia. O Henrique estava ali do lado, cercado pelos moleques da contenção, firme e respeitado como sempre. Eu estava no meu elemento, vivendo a vida que sempre quis, sem dor de cabeça e sem preocupação. Até que a tela do meu celular acendeu em cima da mesa. Era a minha mãe. Atendi dando um gole no copo, tentando falar por cima do barulho do pagode: — Oi, mãe! Tudo bem por aí? A resposta do outro lado não veio com a calma habitual. A voz da minha mãe veio cortante, dura, tão pesada que fez o meu sorriso sumir na hora e o copo congelar na minha mão.

