Isaak olhava pela janela do carro absorto em seus pensamentos. Ele estava com um pouco de raiva de seu pai, o homem estava lhe obrigando a casar contra sua vontade. Ele queria apenas sumir. Mas não tinha como, seu destino estava nas mãos do seu pai, e o dinheiro também. Infelizmente sua faculdade era paga com dinheiro de Marcos, mesmo que ele quisesse fugir e viver por conta própria, não saberia como se virar, já que nunca precisou mover um dedo para trabalhar. Ele se sentia impotente nesse momento.
Vestia uma roupa social, camisa de botões azul e calças sociais preta, seus sapatos brilhavam tanto que quase poderia o deixar cego, seus cabelos foram aparados, ainda deixando que chegassem em sua nuca, o preto cacheado brilhava peteado e devidamente cheio de gel puxando os cabelos que caiam em seus olhos para trás, pareciam grudados em seu couro cabeludo, sua pele n***a chegava a reluzir por causa do olho corporal que foi obrigado a passar pela governanta.
Olhando para a lado ele nota seu pai com os pensamentos longe olhando pela janela, ele vestia um terno preto, tinha que falar que toda sua beleza tinha sido puxada de seu pai, de sua mãe apenas parte do cabelo liso e preto, já que a mulher que lhe gerou era branca feito neve. Inclusive, ele sentia saudades dos abraços apertado de sua querida mãe. Talvez se ela ainda estivesse entre eles e não morrido no auge de seus 14 anos, Isaak poderia ser um adulto diferente.
Não que seu pai não o venha educando perfeitamente, mas Isaak sentia uma raiva escondida de seu pai, ele não chega a ser um pai ausente, longe disso, o mais novo sempre teve seu amor e atenção, mas bastasse uma ligação da empresa Rossi que ele o deixava sozinho para atender ao chamado.
Hoje, já adulto, Isaak entende que é o trabalho do pai, mas não poderia explicar isso a uma criança de 10, 13 anos que só queria brincar com o seu herói.
Voltando a olhar para fora, ver quando a cidade vai ficando para trás, o começo de uma estrada ainda acimentada se dar início, mas árvores cercam as cercas feitas de madeira de porte altíssimo, tinha um campo de diversas flores, rosas, girassóis e tantas outras que Isaak não saberia dizer o nome, assim como mais para frente um cercado com cavalos dos mais magníficos, onde se podia ver piões cuidando deles e colocando algo dentro do cocho para que o animais se alimentassem, Isaak não pode impedir que sua boca se abrisse em surpresa. Estávamos em uma fazendo? Ele se questionou, não ficava muito longe da cidade, quase uma hora de carro, era considerável perto de toda a movimentação e poluição da cidade grande. A fazenda era enorme, milhares de Hectares de terra, quase 30 minutos para chegarem a cede pela pista a qual o carro se movimentava, mais a frente um portão enorme de ferro com uma estátua de cavalo sobre pilares acima dele, foi aberto automaticamente quando um guarda sussurrou algo em um pequeno comunicador. A casa era enorme, não se parecia em nada uma casa de fazenda, mas dava um ar de casinha no meio do mato, as portas eram enormes de madeira maciça na cor de um marrom escuro, o carro passou circulando um enorme chafariz com um cavalo em seu centro espirrando água da boca.
Isaak não podia negar a beleza do lugar, com flores em pequenos canteiros em frente a grande área e aos lados da grande escada que dava para um espaço cheios de cadeiras com uma mesa em seu centro, tendo até mesmo duas cadeiras de balanço ao lado das enormes portas de entrada, Isaak pensava ao descer do carro depois de sua porta ser aberta pelo motorista, que poderia tranquilamente viver ali para sempre.
Então as enormes portas são abertas, saindo de lá um homem que não aparenta ter mais dos 40 anos, quase a idade de seu pai, Isaak diria. Logo ele presumia ser seu futuro sogro, pensou aquilo com uma certa raiva do homem, já que parte disso era culpa dele também.
— Marcos Walker, meu amigo, venham! — O homem chega até o topo das cinco escadas que dá na área da casa com um belo sorriso em seu rosto.
— Senhor Rossi. — O garoto podia notar de longe os olhos pretos muito deferentes do seu e seu pai que eram azuis quase cristalinos, mas os cabelos do homem eram de um loiro quase brilhante, que disfarçavam bem os brancos já aparecendo, o corpo chegava a quase ser definido, era baixo e gordinho, apesar de ser bem-feito. Quando o pai de Isaak se aproxima do homem lhe estendendo a mão, o outro pega e o puxa para um abraço, o mais novo ali notou o corpo do pai enrijecer.
— Não precisa de formalidades Marcos, em breve seremos família. — O senhor Walker sentiu um tremor passar pelo seu corpo, o que não passou despercebido pelo senhor Rossi, que sorriu se afastando e olhando sobre o ombro do mais alto, encarando os olhos de Isaak Walker. — Isaak Walker, já vejo a beleza de quem puxou. — O homem olha de pai para filho, vendo ali a semelhança. — Se aproxime meu rapaz. — Marcos sobe e se encontra um pouco atrás de Alexandre. — É um prazer conhecer você meu rapaz, veja como é lindo. — Diz pegando o rosto do jovem em suas mãos, para logo puxar o mesmo para um abraço, o que surpreendentemente, deixou o mais novo ali confortável.
— É um prazer conhecê-lo. — Disse hesitante o mais novo.
— Vamos entrar. — Disse ele guiando os dois para dentro de uma enorme sala de estar depois da porta de entrada, tinha uma tv grande pendurada em um lado da parede e um sofá em sua frente com poltronas espalhadas ao lado e no centro entre as poltronas, o sofá e a tv uma mesa de centro de madeira. — Meu filho foi andar a cavalo e separar umas cabeças de gado que vamos vender, ele ama esse lugar, quando está aqui não para dentro da casa, se possível o dia todo ele passa em cima de um cavalo. — O senhor diz alegremente, apontando para o sofá aonde pai e filho se sentam, o senhor Rossi se senta na poltrona ao lado de Marcos no sofá. — Me conte Isaak, quantos anos tem?
— Vinte e dois anos, senhor. — O rapaz respondia ainda que timidamente.
— Já que disse que não precisa de formalidades, prefiro que me chame de Alex, ou Alexandre. Em breve será meu genro, espero de coração que possamos ter uma vida confortável, uma relação normal de genro e sogro, sei que as circunstâncias que nos trouxeram a isso não é nada normal, mas acredite, gostei de você e espero que meu filho e você Isaak, possam construir uma relação de respeito, espero sempre sua sinceridade. Eu não estou totalmente feliz com isso, gostaria que por vontade própria meu filho trouxesse alguém para apresentar como seu namorado, desde que se redescobriu como um homem Pan, tive esperanças de que logo aparecesse com um namorado ou uma namorada. Mas nada, apenas trabalho passa na cabeça daquele menino, me encontro desesperado, como um pai que deseja a felicidade do filho, tive que fazer escolhas que não eram fáceis. — O mais velho diz tudo olhando diretamente nos olhos do mais novo. Isaak se sensibiliza por aquele relato, ele até pode entender, só não queria participar daquilo.
— Te entendo senhor, eu também não gostaria de me casar assim, sem amor, apesar de tudo eu acredito nisso, mas tem coisas que não podemos mudar. — Pela primeira vez em tempos, o rapaz estava sendo sincero consigo mesmo e com as pessoas ao seu redor. — Sei que nunca fui um filho dos melhores, entendo as atitudes que tomaram, só não as aceito. Deveria existir um modo melhor de resolver os problemas dos dois. — Diz olhando agora diretamente para o pai.
— Sinto muito que tenham que passar por algo assim, mas não vi nenhuma outra saída. — Quando o mesmo termina de falar, é ouvido a porta da frente se abrir e depois o barulho dela sendo fechada, logo todos olham para a porta de entrada, vendo o rapaz de cabelos loiros, olhos pretos, de altura que chegava ser mais alto que o próprio pai e Isaak, chegava a ter uns 1,88 o homem era alto, e Isaak não pode impedir de admitir para si mesmo que o homem ali em sua presença era lindo demais. Ele usava botas de couros meladas de terra, calças jeans um pouco desgastadas e uma camisa branca que deixava os músculos de seus braços evidentes, assim como sua barriga chapada, longe der ser um magro como Isaak. — Filho, conheça seu futuro marido, Isaak Walker. — O senhor aponta Isaak ao lado do pai, os olhos do mais alto desvia do pai para o menor, seus olhos se fixam um no outro por alguns segundos, o de cabelos cacheados engole em seco com o olhar afiado do outro sobre si, seu rosto sempre sério o olhava com aparente curiosidade. — E esse, seu sogro, Marcos Walker.
— Prazer em conhecê-los, sou Henry. — Diz ainda parado no mesmo lugar. Isaak sentia seu corpo tremer e não sabia dizer o porquê. — Preciso de um banho, logo desço para o almoço. Licença. — Ele se retira do ambiente com um maneio de cabeça, deixando uma última olhada em seu noivo, ele sobe as escadas.
Isaak sentado estava sentado ficou, não proferiu mais nenhuma palavra enquanto o pai e futuro sogro entraram em um diálogo sobre os negócios da empresa pelos próximos vinte minutos, Isaak encarou as escadas novamente, ele se sentia um garoto de oito anos depois de tirar as rodinhas da bicicleta e não ter a certeza se conseguiria andar sem elas, ele estava com medo, ele baixou seu olhar para suas mãos juntas sobre seu colo, sentia seu corpo tremer de medo, o que seria dele depois do casamento? O que iria fazer? Teria que t*****r com aquele homem? Apesar de nunca ter feito isso com um homem, ele não sentia aversão em se imaginar com alguém do mesmo sexo, então ele não via isso como um problema, era outra coisa que ele não conseguia nomear, apesar de se sentir um pouco atraído pelo olhar que o outro lhe deu, Isaak sentia que tinha algo entre eles.
Henry chega ao topo das escadas com a respiração acelerada, era como se seu peito quisesse sair do peito, ele coloca a mão sobre o mesmo e sorrir desacreditado, colocando a culpa daquela reação estranha de seu corpo nas escadas enormes que teve subir, balançando a cabeça negativamente e anda em direção a terceira porta no longo corredor, abrindo a mesma e se deparando com seu quarto perfeitamente arrumado, sua cama de casa bem forrada com um quadro belíssimo em tamanho médio de umas das pinturas de Van Gogh, a famosa céu estrelado, ao seu lado direito da porta, uma outra porta para o banheiro, do lado esquerdo o pequeno closet e perto da cabeceira da cama a sua frente uma mesa com seu computador e notebook, as paredes eram pintadas num cinza claro, aquela cor só predominava naquele cômodo, um contraste gritante com o amarelo e azul claro do resto da casa.
Tirando as calças jeans junto com as botas e a camiseta branca, seguiu para o banheiro apena de cueca, o CEO tinha um corpo musculoso, resultado da lida na fazenda nos finais de semana com a academia durante os sete dias na cidade grande. Seus cabelos loiros estavam um pouco maior do que costumava manter, mas fazia um belo contraste com seus olhos pretos e expressão seria que sempre carregava, a pinta de nascença sobre a nádega direita era um charme a mais no belo homem.
Era um adulto muito lindo, isso ninguém poderia negar.
Tirando a cueca e jogando junto as outras roupas no cesto, o maior no box, ligando os jatos de água morna, ele entra molhando os fios loiros, que reluziam abaixo da água que agora escorria por todo seu corpo. Ele passa os dedos por entre os fios, não impedindo que o pequeno vislumbre do corpo brilhoso viesse a sua frente, brilhoso por causa do suor, os gemidos vieram aos seus ouvidos como se o rapaz estivesse agora mesmo ali na sua frente, gemendo entregue sem qualquer pudor, Henry ainda se perguntava se fez o certo naquela noite, tomar o garoto para si quando os dois não se aguentavam sobre os próprios pés. Mas não pode impedir ao apelo do garoto ao pedir que o tomasse. Abrindo os olhos viu que estava e******o, fechou os olhos e mergulhou sua cabeça para trás se perguntando. “Quais as chances do garoto que nunca fui capaz de esquecer em um mês agora ser meu noivo?
Terminando seu banho sai do banheiro enrolado na toalha e entra no closet, vestindo uma cueca, escolhe uma calça social preta e uma camisa de botões brancas, afinal seria seu jantar de noivado, penteou as mexas um pouco longas de seu cabelos para trás, passou seu perfume caro, colocando o Rolex o pulso calçou seus sapatos sociais e seguiu rumo a saída do quarto, descendo as escadas, quando chegou no último degrau parou ao sentir um olhar sobre si, ao levar seus olhos para a sala deu de cara com seu futuro marido o encarando com curiosidade, ali, Henry teve uma certeza, o garoto o olhava como se nunca tivesse o visto, ele não lembrava da noite a dois meses atrás quando por coincidência se encontraram numa boate. Isso a princípio deixou o mais velho magoado, mas logo entendeu que ele mesmo só lembrou de tudo com todos os detalhes duas semanas depois.
O que o levou a pensar que ele não era adepto a esses tipos de coisa, t*****r com alguém enquanto estavam bêbados, o que fez também ele sentir uma comichão por imaginar que seu noivo pudesse ter feito aquilo tantas outras vezes antes dele. Será mesmo que você esqueceu, Isaak? Seu nome então era Isaak. Diz ainda mantendo seu olhar preso no de seu futuro noivo.
— Filho. — Foram despertados pelo chamado do pai de Henry, que fez os dois olharem para o mais velho e desviarem do olhar um do outro. — Que bom que finalmente desceu, sente-se. — Disse apontado para o lado do mais novo, seu futuro marido, ele sabia bem que não poderia dizer não, então apenas sentou-se alguns centímetros longe do rapaz de cabelos cachados, podendo sentir o cheio gostoso que vinha dele, constatou que era o mesmo perfume da bendita noite, Isaak também sentiu aquele cheiro marcante do mais velho, sua memória lhe pregando peças mostrou uma cena em que o mesmo se encontrava no colo do mais velho ao seu lado enquanto afundava seu nariz no pescoço alheio em busca de mais daquele cheiro gostoso. Balançou a cabeça negativamente se repreendendo por aquele tipo de pensamento. O que está acontecendo comigo? Perguntou em desespero. — Filho, meu querido genro, — Alexandre chama a atenção dos dois que pareciam dispersos. — Queridos, o casamento será daqui duas semanas. — Os dois arregalam os olhos, era mais perto do que imaginavam, eles se entreolham por alguns segundo, e volta sua atenção para o mais velho. — Entrará em férias até lá Henry. — Quando o CEO ia falar algo o pai levanta a mão o parando. — Sem discussões, precisa conhecer seu noivo, ele ficará aqui conosco e terão tempo de saírem e saber mais um do outro. — Isaak morde os lábios com força, ficaria na presença dele todo esse tempo, e antes mesmo do casamento, ele já se sentia cansado, Henry agora enxergava nisso uma oportunidade de saber se o menor ao seu lado tinha mesmo esquecido da noite deles regada a sexo. — Agora vamos almoçar, e depois, à noite, teremos o jantar de noivado.
O mais velho se levanta e segue na frente com o pai de Isaak, os dois ainda sentados no sofá lado a lado, sentindo as bochechas corarem e sentindo que alguém o olhava, Isaak olha para o lado e um pouco para cima, encontrando os olhos pretos e intensos do mais velho e seu noivo.
— Você realmente esqueceu? — Henry deixa escapar sem que percebesse, arregalando os olhos quando se dar conta, voltando ao normal em segundos quando nota a ruga de interrogação na testa do menor.
— O que?
— Acho que fazia isso com todos. — Lançou um olhar desdenhoso em direção ao corpo do menor que se sentiu constrangido e muito confuso com as palavras do futuro noivo. Se aproximando do menor que foi um pouco para trás, mas parou quando notou que quase acaba deitado sobre o sofá com o corpo maior acima do seu. Os dois estavam tão pertos, que o menor sentiu a respiração do outro bater contra seu rosto, ele já havia a sentido em algum lugar, ele tinha uma vaga sensação de já ter ficado assim antes com aquele homem.
— Do que está falando? — Perguntou baixinho, mantendo seu olhar no de Henry.
— Vou fazer você lembrar de cada segundo. — Dito isso ele se levantou e seguiu pelo corredor em direção a sala de jantar, com as pernas tremulas, Isaak seguiu atrás daquele desconhecido que seria seu noivo, sua cabeça dava voltas e mais voltas, ele se encontrava muito confuso.