Capítulo 09: Revelações das sombras

1439 Words
Raphael Eu estava no depósito, resolvendo os últimos detalhes com Lorenzo, quando ouvi um barulho estranho vindo de fora. Imediatamente, meus instintos entraram em alerta. Aquele depósito era um lugar onde apenas os mais confiáveis tinham acesso. Qualquer presença não autorizada ali significava problemas sérios. ― Lorenzo, vá ver o que é isso ― ordenei, tentando manter a calma na voz, mas minha mente já começava a correr com possibilidades. Lorenzo assentiu rapidamente e saiu para investigar. Enquanto ele estava fora, tentei focar nos papéis à minha frente, mas a ansiedade crescia dentro de mim. Algo estava errado. O depósito era um lugar seguro, afastado das curiosidades indesejadas. Ou pelo menos, deveria ser. Lorenzo voltou após alguns minutos, sua expressão grave. Meu coração bateu mais forte, mas mantive a compostura. ― E então, Lorenzo? Resolveu o problema? ― perguntei, tentando não transparecer a tensão. ― Não deu tempo, chefe. Quem quer que fosse, já saiu de carro ― respondeu ele, a voz carregada de frustração. Senti uma onda de raiva subir dentro de mim. Como isso podia ter acontecido? Nosso sistema de segurança deveria ser infalível. Apertei os punhos, tentando controlar a fúria que ameaçava explodir. ― Como era essa mulher? ― perguntei, tentando manter o tom frio e calculado. Lorenzo hesitou por um momento antes de responder, sua voz baixa e cautelosa. ― Era uma mulher jovem, cabelo castanho, olhos intensos. Me pareceu familiar, mas não consegui ter certeza. Uma imagem clara surgiu na minha mente. Donatella. Aquela descrição correspondia exatamente a ela. O que ela estaria fazendo aqui? Por que estaria me vigiando? ― Donatella ― murmurei, mais para mim mesmo do que para Lorenzo. ― O que disse, chefe? ― Lorenzo perguntou, com curiosidade e preocupação misturadas na voz. Olhei para ele, a mente trabalhando rapidamente. Algo não se encaixava. Alessandra havia me pedido para proteger Donatella, e agora ela estava aqui, se metendo em um negócio que não lhe dizia respeito. Precisava de respostas, e rápido. ― Nada, Lorenzo. Pode ir. E da próxima vez, não deixe isso acontecer ― disse, a voz mais dura do que eu pretendia. Lorenzo assentiu, visivelmente contrariado, e saiu. Eu me recostei na cadeira, tentando montar o quebra-cabeça que se formava diante de mim. Por que Donatella estava me espionando? Será que ela sabia algo sobre meu envolvimento com a máfia? Ou pior, será que ela estava sendo usada por alguém para me destruir? Os pensamentos rodavam na minha cabeça como um turbilhão. Precisava descobrir o que estava acontecendo. Por que a Donatella estava me seguindo e será que isso era coisa da Alexandra? São muitas perguntas e precisava de respostas! Peguei o celular do bolso para ligar pra ela e tirar isso a limpo, porém, fiquei um tempo hesitante, não sabia se podia confiar na Alexandra, era outra que também não sabia nada. Merda! O que vou fazer? Lorenzo se aproxima. ― Chefe, o que vamos fazer? Quer eu dou um jeito nessa tal Donatella? ― Ele perguntou. Guardei o celular no bolso e o fitei. ― Não faz nada. Eu resolvo isso, quero que você descubra quem foi o traidor e resolva essa bagunça. ― Ordenei para o Lorenzo que assentiu. Logo saí do depósito e fui correndo para a empresa, pois ainda tenho uma reunião importante com os americanos. Depois que resolver isso, vou ter uma conversa muito séria com a Donatella e descobrir por que estava me seguindo? *** A reunião com os americanos foi um sucesso estrondoso. Conseguimos fechar uma parceria que permitiria expandir nossa empresa para cinco novas localidades nos Estados Unidos. Isso era mais do que apenas um bom negócio; era um passo gigantesco na consolidação do nosso império. Senti um orgulho imenso enquanto apertava as mãos dos investidores, selando um acordo que muitos considerariam impossível. No entanto, por mais que essa vitória devesse ser comemorada, minha mente estava longe de estar tranquila. O que aconteceu no depósito continuava a me incomodar. A imagem de Donatella, espiando algo que ela claramente não deveria, não saía da minha cabeça. Por que ela estava lá? O que ela sabia? Essas perguntas me assombravam desde o momento em que Lorenzo me descreveu a mulher que viu. Decidi que não podia continuar com essa incerteza. Precisava de respostas, e precisava delas agora. Voltei para minha sala, a passos firmes, o peso da decisão me pressionando. Fechei a porta atrás de mim e me sentei à minha mesa, contemplando a melhor forma de abordar Donatella. Ela tinha que me dizer o que sabia, ou pelo menos o que estava procurando. Peguei o telefone e liguei para a secretária. — Traga Donatella Esposito à minha sala imediatamente — disse, tentando manter a voz neutra, apesar da tensão que sentia. Enquanto esperava, meus pensamentos se aglomeravam. Donatella. Ela sempre tinha sido uma funcionária dedicada, inteligente e ambiciosa. Mas agora, ela era um enigma. E eu precisava resolver esse enigma antes que ele me destruísse. Não demorou muito para que a porta se abrisse e Donatella entrasse, uma expressão de surpresa e talvez um pouco de preocupação no rosto. Ela parecia estar tentando entender por que eu a chamara tão de repente. — Raphael, você pediu para me ver? — perguntou, a voz calma, mas com um toque de nervosismo. Assenti, indicando que ela se sentasse na cadeira em frente à minha mesa. — Sim, Donatella. Precisamos conversar — disse, mantendo o olhar fixo nela. — Algo aconteceu hoje, e eu preciso entender o que está acontecendo. Ela franziu o cenho, claramente confusa. — Do que você está falando, Raphael? Respirei fundo, tentando manter a calma. — Hoje, no depósito. Você estava lá, espiando meus negócios. Preciso saber por quê. Vi a surpresa em seu rosto, seguida por uma sombra de culpa. Ela abriu a boca para falar, mas hesitou, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. — Eu... eu estava curiosa — disse finalmente, sua voz baixa. — Queria entender mais sobre o que você faz, sobre a empresa. Fiquei intrigada com algumas coisas e pensei que poderia aprender mais se visse de perto. Balancei a cabeça, não convencido. — Donatella, isso não é algo que você deveria fazer sem autorização. Você sabe que o depósito é uma área restrita. Há coisas que você não deveria ver. Ela mordeu o lábio, parecendo ainda mais culpada. — Eu sei, Raphael. Foi um erro. Eu não queria causar problemas. Suspirei, tentando decidir se acreditava nela. Parte de mim queria confiar, queria acreditar que ela era apenas curiosa. Mas outra parte, a parte que sabia dos segredos e perigos envolvidos, não podia se dar ao luxo de ser ingênuo. — Alessandra me pediu para proteger você — disse, observando sua reação. — E agora você aparece no meu depósito, espiando algo que é perigoso demais para você entender. Preciso saber, Donatella. O que você realmente sabe? Ela ficou em silêncio por um momento, seus olhos buscando os meus, como se procurasse algo. Finalmente, respirou fundo e respondeu. — Raphael, eu não sei tudo. Mas sei que há algo mais acontecendo aqui. Algo que vai além dos negócios normais. E quero entender o que é, porque sinto que estou envolvida de alguma forma. Isso me pegou de surpresa. Sua sinceridade, sua determinação... Havia mais nela do que eu imaginava. Ela não era apenas uma funcionária curiosa; ela estava tentando entender um quebra-cabeça maior, talvez o mesmo que eu. — Você não entende no que está se metendo, Donatella. Há forças em jogo que são perigosas. Por isso Alessandra pediu para protegê-la. Não posso deixar que você se machuque por causa disso. Ela levantou o queixo, sua expressão ficando mais determinada. — Então, me explique, Raphael. Se estou em perigo, eu preciso saber por quê. Preciso saber a verdade. Olhei para ela, vendo a força e a coragem em seus olhos. Era difícil não admirar isso. Mas ao mesmo tempo, eu sabia que contar a verdade poderia colocá-la em ainda mais perigo. — Muito bem, Donatella. Mas saiba que, uma vez que você souber, não há como voltar atrás. E você terá que confiar em mim, mais do que nunca. Ela assentiu, firme. — Estou pronta, Raphael. Confio em você. Agora, me conte a verdade. Respirei fundo, sabendo que estava prestes a cruzar uma linha perigosa. Mas não tinha escolha. Donatella precisava saber a verdade, e eu precisava da sua confiança. — Está bem. Vou te contar tudo. Mas prepare-se, porque isso vai mudar tudo o que você pensa que sabe. E assim, comecei a revelar os segredos sombrios que envolviam nossos negócios, esperando que Donatella estivesse realmente pronta para enfrentar a verdade.
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