Yves— Ele não é alguém que busca holofotes explicou Yves, num tom pensativo que ecoou baixinho pela suíte de teto alto. Yves — Mas é inegavelmente famoso no nosso meio. As grandes casas de leilão de Genebra, Londres ou Paris possuem círculos muito restritos. Pessoas que compram ou restauram peças sem jamais colocar o nome nos catálogos oficiais. Ele tinha aquele ar de quem transita por esses lugares sem precisar de convite, como se cada galeria secreta do continente mantivesse uma porta aberta apenas para a sua chegada. Yves mantinha a vista fixa na névoa fina que começava a subir dos canais, refletindo as luzes douradas dos postes antigos sobre a superfície escura da água. O silêncio da noite veneziana parecia amplificar a presença daquele homem misterioso, mesmo que ele já estivess

