capítulo 28

1396 Words

A porta dupla do ateliê de Yves escancarou-se com um estrondo dramático que fez o pó fino de giz e pigmento flutuar na luz da tarde. Helena entrou correndo feito uma louca, derrapando os calcanhares no piso de madeira gasta e balançando um envelope retangular com acabamento acetinado como se segurasse um bilhete premiado de loteria. Helena— Yves! Yves, olha isso! gritou ela, sem fôlego, apoiando as mãos nos joelhos por dois segundos antes de voltar a erguer o papel no ar. Helena— Eu já resolvi tudo! Mandei seis dos seus melhores quadros para a exposição de amanhã à noite! Em Veneza! Yves, que segurava uma espátula suja de tinta a óleo azul-cobalto sobre uma tela em restauração, travou o gesto no ar. Ela piscou duas vezes, tentando processar a torrente de informação. Yves— Veneza,

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