A luz suave da manhã veneziana atravessava as frestas das persianas, desenhando feixes dourados sobre o piso de mármore do quarto de hotel. Yves abriu os olhos devagar, sentindo uma sensação incomum no peito: uma leveza que há anos não experimentava. Um sorriso espontâneo e meio bobo desenhou-se em seus lábios assim que as lembranças da noite anterior vieram à tona. O perfume amadeirado, o abraço firme na varanda, a promessa de não usar a lupa e, acima de tudo, a expectativa do almoço marcado para a uma da tarde. Ela sentou-se na cama, espreguiçou-se e olhou para o lado, notando que a cama de Helena continuava impecavelmente arrumada, exatamente como a amiga a deixara ao sair com Ronald. No outro lado da cidade, em sua mansão privativa às margens do canal, Louis já estava desperto d

