O relógio de parede marcava o compasso de um tempo que parecia desacelerar a cada respiração. A luz amarelada que entrava pelas frestas das janelas altas cortava a poeira suspensa no ar, criando feixes luminosos sobre as superfícies cobertas de pó. Dentro daquela oficina antiga, o cheiro característico de resina, verniz e terra molhada tomava conta de tudo. Mérode estendeu os braços e entregou a ela as pastas amareladas, cheias de documentos antigos, relatórios esquecidos e folhas desgastadas nas pontas. Aquele amontoado de papéis continha os registros do homem misterioso, o mesmo artesão que, anos atrás, havia trabalhado a estrutura daquela peça histórica. Yves pegou o maço de folhas com todo o cuidado, quase temendo que o papel se desfaça entre seus dedos. Seus olhos correram

