As cinco horas em ponto soarão no relógio de parede do laboratório subterrâneo quando Louis deu a última pincelada de precisão no processo de restauração do vaso de cerâmica do século XVII. Ele pousou o instrumento delicadamente sobre a bancada e limpou as mãos em um pano de algodão levemente umedecido em solvente. Antes de arrumar a mesa, caminhou até o cavalete de madeira escura no canto da sala e puxou suavemente o tecido de proteção que cobria a tela em que vinha trabalhando desde seu retorno. Ali estava o retrato inacabado de Yves. Ele permaneceu alguns segundos em silêncio absoluto, contemplando a peça com uma intensidade quase hipnótica. A luz focada da bancada destacava a silhueta elegante da mulher que ele gravara na memória na feira de Veneza,a postura firme, o contorno de

