Capitulo- 09

937 Words
"Às vezes, o coração não sabe para qual caminho apontar, mas insiste em bater por todos eles ao mesmo tempo." O Uber parou e eu olhei para o parque à frente. Não era um parque grande ou cheio de atrações, mas tinha algo de simples e encantador. As árvores espalhadas formavam pequenas sombras sobre os caminhos de areia, flores silvestres coloriam os canteiros e um laguinho refletia o céu azul, com patos nadando preguiçosamente. Alguns bancos de madeira pareciam ter histórias próprias, e o cheiro de grama recém-cortada misturava-se ao ar fresco da manhã. Andei um pouco sozinha, sentindo a brisa leve no rosto e o sol ainda tímido aquecendo a pele. Logo, avistei Ethan de longe, acompanhado do Max, seu cachorro animado. De longe, dava para ver Ethan jogando um graveto, que Max corria atrás com energia, balançando o r**o como se cada corrida fosse uma pequena aventura. Sentei no chão, um pouco afastada, esperando que Ethan me notasse. Quando ele finalmente me viu, lançou o graveto mais uma vez para Max e caminhou na minha direção, um sorriso tranquilo no rosto. — Bom dia, sumida — disse ele, aproximando-se. — Oi, Ethan — respondi, sorrindo, enquanto ele se abaixava ao meu lado e beijava minha bochecha. Era domingo, oito da manhã, e ele me chamara para sentir a natureza, para simplesmente existir naquele momento. — Lindo lugar, né? — comentou, olhando ao redor. — Sim, é simples, mas tem algo de especial — falei, sentindo uma leve paz. Sentamos ali por alguns minutos, apenas observando o Max correr atrás dos gravetos. O silêncio não era desconfortável, mas cheio de pequenos detalhes, como o som das folhas, o canto dos pássaros e o farfalhar do vento. — Sabe, Eli… — começou Ethan, com um tom mais sério, mas ainda suave — eu passei por várias situações parecidas com as que você me contou outro dia. — Ah é? — perguntei, curiosa, sentindo meu coração apertar com a proximidade dele. — Sim… e me diga, você acredita em Deus? — ele perguntou de repente. Sorri de leve, lembrando da nossa conversa passada: — Sim, acredito. Tento colocar na minha cabeça que tudo acontece no tempo de Deus, mas… às vezes parece que esse tempo não chega, ou que nunca vai chegar — falei, quase baixinho. Ethan assentiu, como se entendesse perfeitamente o peso daquilo. — Eu sei como é… — disse ele, olhando para mim com atenção. — Às vezes, a gente se sente frustrado, perdido, mas não é o fim. Você já passou por coisas que pareciam um muro intransponível, mas mesmo assim continua firme. — É… — murmurei, sentindo que aquela conversa ia além do parque, do momento e de qualquer distração. — Eu me casei muito nova, porque queria construir algo, ter filhos, construir a vida… mas não deu certo. Hoje me sinto realizada no trabalho, na faculdade, mas essa parte… de construir uma família… é a que mais me pega. Ele permaneceu em silêncio, absorvendo cada palavra. — Entendo — disse depois de um tempo. — Mas não é apenas tristeza, sabe? É aprendizado. A fé, mesmo quando a gente se sente sozinho, ensina a encontrar o caminho de volta para nós mesmos. E você encontrou — ele sorriu, de um jeito que parecia iluminar a manhã — você segue acreditando, estudando, buscando equilíbrio. Isso mostra força. Respirei fundo, sentindo um misto de alívio e conexão. Havia algo em Ethan que me fazia abrir o coração sem medo de julgamento. — Às vezes, parece que tudo acontece rápido demais, ou que não vai acontecer… mas a vida continua, e o tempo de Deus também passa pelas nossas escolhas — continuei, quase como um sussurro. — A vida não acaba aqui… ela vai além, e a gente vai aprendendo a se equilibrar entre fé e ações. Ele sorriu de forma compreensiva, encostando o braço levemente no meu. — Isso é lindo, Eli. A gente nunca para de aprender. A solidão, a dor, os momentos de perda… tudo faz parte, mas a fé… ela permanece. O Max voltou correndo, derrubando a gravata de Ethan, e ele riu, quebrando um pouco a seriedade do momento. — Bom, e além da fé e da vida espiritual, você ainda acha tempo para se divertir? — perguntei provocando ele. — Claro… — respondei com um sorrindo, mas sentindo que aquela conversa tinha sido mais profunda do que qualquer outra manhã no parque. — Mesmo nos dias mais complicados, pequenos momentos de alegria fazem a diferença. Ethan falou e olhou para o céu azul acima. — Sabe, Eli… às vezes a gente pensa que perdeu o final feliz, mas talvez ele seja diferente do que a gente imaginava. Ele não desaparece, só muda de forma — disse ele, como se falasse de algo que sempre soube, mas nunca dissera em voz alta. Sorri, sentindo uma mistura de esperança e tranquilidade. Havia algo em compartilhar essas palavras com Ethan que me deixava mais leve, como se aquele parque, aquela manhã e aquela conversa fossem um pequeno recomeço. — Obrigada por ouvir — falei, sentindo meu peito apertar de uma forma boa. — É raro alguém realmente entender o que se passa dentro da gente. — Sempre vou ouvir — disse ele, com aquela certeza calma que fazia meu coração bater mais forte. Ficamos ali por mais algum tempo, observando o Max correr, as folhas balançarem e o sol aquecer a pele. Não precisávamos de mais nada. A manhã era nossa, e talvez fosse apenas o começo de algo maior, ou talvez apenas um momento perfeito que eu guardaria comigo para sempre.
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