Marília Narrando A casa estava em silêncio quando entrei, exceto pelo som abafado do choro de Clarinha. Era um som que parecia atravessar paredes, cortando fundo na alma. Respirei fundo, tentando controlar o turbilhão de emoções que me consumia. Era como se eu sentisse ainda o impacto do disparo. Clarinha estava no sofá, encolhida nos braços de Liliane. Elas conversava baixinho com ela, tentando acalmá-la, mas seu olhar encontrou o meu assim que entrei. Não trocamos palavras. Não precisávamos. Ele sabia o que eu estava sentindo, e eu sabia o que ele queria me dizer. — Vem cá, minha pequena. — Minha voz saiu mais suave do que eu imaginava que fosse capaz naquele momento. Clarinha abriu os braços e se jogou no meu colo. Abracei-a com força, segurando as lágrimas que insistiam em cair. E

