Negrão Narrando Quando Lasanha gritou na rádio que a piveta tinha desaparecido, era como se tivessem levado um pedaço de nós. E não, não era só a Clarinha pô, mas a menina já tinha ganhado nosso coração, cada um de nós de um jeito. Por isso, a tensão tomou conta do Borel, e a reação foi instantânea: qualquer um que estivesse por perto sabia que o que se seguisse seria guerra. Já era noite quando a gente se encontrou no bar do Zé. O bar dele, era o único lugar onde a quebra da madrugada não parecia tão brutal. As luzes piscavam, e a fumaça de cigarro misturava-se ao cheiro de cachaça. Os olhos de todo mundo estavam duros, e o silêncio era uma lâmina afiada. O assunto era Clarinha, e o peso dele quase esmagava o ar. – Graças a Deus a piveta tá bem, mó sufoco do carälho. – Falo acendendo

