Marília narrando Sentada naquela cadeira, de frente pra ele, a voz firme do Touro ecoava na minha mente como um tambor. Cada palavra que ele dizia parecia carregar mais peso do que meu corpo podia suportar. O jeito que ele olhou pra mim, que falou comigo... Era como se dissesse que eu era só mais uma peça no tabuleiro dele. Mas eu não sou. Eu nunca fui. Enquanto isso, flashes do que aconteceu antes de chegar ali invadiam minha cabeça, me torturando. Desde o momento que senti meu cabelo sendo puxado, até ser arrastada pra dentro da boca, cada detalhe queimava como brasa. O cheiro da fumaça, os olhares dos homens me pesando como se eu fosse um pedaço de carne, e, acima de tudo, o silêncio dele. O silêncio do Touro era pior que qualquer grito. Quando ele me liberou, saí de lá sem olhar pra

