Marília Narrando O som do bip da máquina de monitoramento preenchia a sala como um tambor que marcava o ritmo da minha ansiedade. Clarinha estava deitada, tão pequena, tão frágil, dentro daquela máquina de tomografia. Sua respiração era leve, quase imperceptível, e cada segundo parecia uma eternidade enquanto o exame era realizado. Eu me lembrava de cada detalhe desde o nascimento dela. Minha gravidez complicada, a pressão alta que quase tirou a vida dela ainda no meu ventre, e os meses intermináveis na UTI neonatal. Agora, mais uma vez, ela estava ali, lutando. E eu não podia fazer nada além de esperar. De repente, um alarme gritante disparou. Olhei em direção à máquina enquanto a Dra. Olga e o Dr. Fernandes, que acompanhavam o exame de perto, correram para verificar o que estava acon

