Guto Narrando O clima no hospital está entediante. Não era só pelo cheiro de desinfetante ou pelos gemidos abafados de outros pacientes, mas pela tensão que se acumulava no ar. Touro tava no leito, e mesmo arrebentado, com febre e o local da cirurgia sangrando, ele não se permitia fraquejar. Quando o rádio apitou e avisaram que a Marília tava descendo o Morro, o cara surtou. Parecia um touro preso numa arena, furioso por não poder sair dali. Estava jogado na cama do hospital, amarrado pela dor e pela impotência. Ele queria fazer alguma coisa, qualquer coisa, mas o corpo não obedecia. Só os olhos queimavam, cheios de raiva e desespero, enquanto ele murmurava palavrão atrás de palavrão. Cada segundo era um tormento. Cada segundo longe dela parecia que arrancava um pedaço da alma dele. Eu

