Marília Narrando Tem dias que, por mais que eu tente ser forte, o passado parece grudar na minha pele, sufocando. Eu sei que, às vezes, pareço ingrata. Sei que Amanda, Guto e até Lasanha só querem ajudar, mas o peso de tudo que vivi não some assim, de uma hora pra outra. Sempre foi eu e Clarinha, Clarinha e eu. Um time de duas. O Luiz? Ele deixou claro desde o começo que não fazia parte desse time. Lembro como se fosse ontem, o dia em que Clarinha nasceu. Um parto cesariano complicado, cheio de riscos. Ele me deixou sozinha no hospital como se eu fosse invisível. Quando eu recebi alta e ela ficou na UTI neonatal, ele nem se deu ao trabalho de perguntar como estava. Eu subia e descia do Borel todos os dias pra amamentar minha filha, faziaa chuva ou fazia sol. Era exaustivo, mas eu fazia.

