Marília Narrando Eu juro que tento entender. Tento procurar sentido nas coisas que acontecem comigo, mas, na boa? Parece que Deus esqueceu de mim ou, pior, tá me testando pra ver até onde eu aguento. Não basta o peso e eu sempre carreguei sozinha, não basta as noites sem dormir por causa da Clarinha, ainda tenho que ouvir merdä do Touro. Logo dele, que jurava ser diferente. Minha cabeça latejava, meu corpo tremia e meu coração parecia que ia explodir. E pra completar, Clarinha nos meus braços, desacordada, sem reagir. Cada segundo que eu olhava pra ela e não via melhora era como uma facada no peito. Eu tava descendo o morro, com ela pendurada no meu braço, e os passos saíam rápidos, sem pensar. A dor, a mágoa e a preocupação me guiavam. Só que, antes mesmo de alcançar a saída, os caras

