Luiz Narrando Os dias não têm sido fáceis. A sensação de que cada manhã é uma afronta pesa em meus ombros. Desde que Marília saiu de casa, levando tudo o que conseguiu carregar, até as panelas e aquele sofá que ela sempre odiou porque eu passava as noites sentado olhando para ela enquanto ela fazia a janta. Minha vida virou um caos ainda maior. Não foi só a casa que ficou vazia; a dignidade, essa aí, foi jogada no mesmo caminhão de mudança. Marília, ah, Marília... Sempre quis se mostrar forte, mas eu sabia que por dentro ela era só um reflexo distorcido de tudo o que tentava ser. Mas dessa vez, ela conseguiu. Ela não só saiu, como fez questão de escancarar para o mundo que era dona da situação. E eu, Luiz, fiquei aqui, de pé no meio da sala, olhando para as marcas dos móveis no chão e s

