Marília Narrando Por um instante, pensei em retrucar, em me defender. Ele estava entrando em uma área que já me machucava demais, e eu não queria ninguém daqui do Borel, especialmente os mais chegados — especialmente ele, a pessoa que mais tem me amparado —, enfrentando essa barra comigo. Mas, no fundo, eu sabia que era inútil bater de frente. Não dava pra ir contra ele. Por mais que ele respeitasse o meu espaço até agora, eu sabia que, quando decidisse fazer algo, ele faria. Simples assim. Ele tinha o poder, a força... e, de algum jeito, ele também tinha poder sobre mim. Sobre o meu corpo, sobre os meus pensamentos. Então, em vez de me desgastar lutando contra algo que parecia inevitável, respirei fundo e decidi ouvir o que ele tinha pra dizer. — Como assim, não quer? Ele é bom no qu

