Amanda Narrando Aquele silêncio na sala era horrível demais. Guto e Lasanha estavam lá fora, e a Clarinha tinha finalmente pegado no sono, respirando tranquilo como se o mundo fosse simples. Mas, pra mim, não tinha nada de simples. O jeito que a Marília me olhou antes de entrar pra conversar com o Touro ficou martelando na minha cabeça. Não era um olhar de julgamento – Marília nunca foi de me julgar –, mas era um olhar de dúvida. Como se ela estivesse me perguntando, sem precisar abrir a boca: Por quê? Sempre fomos abertas uma com a outra. Sempre. Não existiam segredos entre nós. E agora, eu sentia que tinha quebrado uma regra que nem precisava ser dita. Tinha agido por instinto, pela emoção, achando que estava fazendo o certo. Mas será que estava? Tentei me concentrar na respiração da

