Touro Narrando Levantei cedo, como sempre. Não era só o corpo que tava no piloto automático, a cabeça também não parava. Cautela. Essa palavra não saía da minha mente. No Borel, confiar demais é convite pra bala perdida, e eu sabia disso melhor do que ninguém. Traíra, por aqui, tem aos montes. Mas eu também sabia que, quando eu descobrisse quem era, ia ter vala. Rápido. Limpo. Sem hesitação. Só que, ultimamente, o que me segurava não era o medo de encher o Rio de cova rasa. Era ela. Marília. Não dava pra ferrar ainda mais a vida de alguém que já tinha vivido um inferno. Mesmo que minha vontade fosse fazer esse lugar arder. A manhã já tinha começado intensa. O sol escaldante do Rio queimava mais do que o normal, e nós távamos trocando ideia, esperando a hora da próxima troca de plantão,

