Ludmila Narrando As paredes da casa que um dia chamei de lar agora pareciam estar se fechando sobre mim. O cheiro de café amargo pairava no ar enquanto eu me sentava à mesa da cozinha, encarando a parede com o mesmo olhar que lançava à minha vida. Algumas rachaduras que começacaram a aparecer eram como as da minha alma: profundas, negligenciadas e sempre prestes a ceder. Quando fiquei na casa sozinha com a minha filha e com Luiz, imaginei que estava assinando um contrato com a felicidade. Mas, na prática, parecia mais um acordo para o abandono. Ele entrava e saía da nossa vida como um passageiro sem destino certo, enquanto eu ficava ali, encarregada de manter o barco à tona, com uma criança no colo e um nó na garganta. Não era só a ausência dele que me matava aos poucos. Era a liberdad

