Marília Narrando Eu sabia que o telefone ia tocar a qualquer momento. Só não esperava que fosse duas vezes. Luiz, com aquela voz cheia de superioridade e incredulidade, estava prestes a perceber o que eu tinha feito. E eu estava pronta para ouvir. Queria gravar cada palavra, cada sílaba carregada de frustração e desespero. Ele precisava sentir, nem que fosse por um instante, uma fração do que eu senti todos esses anos. O celular vibrou em cima da mesa. Respirei fundo, observando a tela antes de atender. Lá estava o nome dele. Engraçado como o simples nome dele ainda era capaz de me provocar raiva, como se fosse um lembrete das feridas que ele e Ludmila abriram em mim. Amanda para na minha frente de braços cruzados, ela me conhecia há anos, sabia das minhas lutas, mas nunca tinha visto

