Guto Narrando A dor latejava como um maldito tambor no meu corpo, mas a vontade de levantar era maior. Meu sangue fervia, não só por causa do tiro, mas pela raiva de estar ali no chão enquanto os cria davam o sangue no meio da trocação. Eu sentia o calor do ferro e o cheiro de pólvora misturado com o gosto amargo do sangue que escorria pelo canto da minha boca. O Touro tava ao meu lado, o olhar dele era pesado, daqueles que atravessa a alma. Ele continuava atirando, protegendo o perímetro, mas por um momento nossos olhos se cruzaram. Ali, naqueles segundos que pareciam eternos, eu não segurei a língua. — Tu sabia, né? Sabia que a gente era irmão, desgraçado. — As palavras saíram entre os dentes, carregadas de um misto de dor e rancor. Ele nem piscou. Só continuou mirando e descarregan

