MARATONA 2/5

316 Words
Você é forte, líder, exemplo para um grande time. Reaja! Eu dizia a mim mesmo, mas nada estagnava a terrível dor que massacrava a minha alma desde que me vi sem dona Angelica Venturelli, minha mãe, meu único laço sanguíneo, que mesmo lutando com determinação, acabou perdendo a batalha contra uma enfermidade incurável. Era difícil de acreditar que há alguns meses ela estava ali, exercitando-se, rindo, abraçando os empregados e dançando com eles, sem saber que dentro dela existia um tic tac devastador. Agora, dezoito dias depois de seu último suspiro, a casa de veraneio estava vazia. Apenas eu, o luto e a solidão ocupavam o ambiente que, por muito tempo, foi o nosso refúgio. M: T-tudo bem... Não vou mais interromper. - A voz da italiana estremeceu. — A única intenção é ajudar. J: Está tudo dentro do meu controle, Milena blefei, forçando um tom amável.- Só preciso de um tempo para colocar a minha cabeça em ordem e viver um pouco mais desse luto que destruiu o meu pedaço de humanidade. M: Tudo bem. Você já se alimentou hoje? Vou marcar uma terapia para você. J: Não há necessidade. - Suspirei impaciente, querendo permanecer isolado, escondendo minhas inabilidades do mundo. -Obrigado pela preocupação, querida, agora vá para casa e fique longe de álcool. Me ligue apenas se surgir alguma eventualidade na Venturelli. Desliguei a tela do celular e desci da esteira sem olhar para trás, direcionando meus pés para a minha suíte. A casa de cento e oitenta metros quadrados em arquitetura moderna e aconchego rústico, situada na extremidade nordeste da Ilha de Tinharé, na Bahia, foi o meu primeiro imóvel adquirido com lucros da Venturelli. Pertencia à minha mãe. Um presente que planejei na adolescência, quando ela, mãe solo, desdobrava-se em três para dar aulas particulares em todos os dias da semana, incluindo feriados, a fim de pagar meus estudos fora do Brasil.
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