Capítulo Dezoito

1593 Words
Rae abriu a porta para Eleanor e lhe deu um abraço apertado. Eleanor sorriu ao senti-la contra si e seu cabelo com cheiro de morango. As duas entraram em casa e Colette veio da cozinha sorrindo. — Eleanor! — Sua mãe a abraçou. — Sentimos sua falta. — Eu também. — Eleanor sorriu. — Estou planejando fazer uma noite das garotas, que tal? Podemos chamar Jane também, se quiserem. — Colette disse animada. — Eu ia amar passar um tempo com vocês. — Ótimo! — Rae disse. — Vamos te dar espaço para arrumar suas coisas, tudo bem? Enquanto isso, eu e Rae vamos começar os preparativos. Você já almoçou? Quer que eu prepare algo para você. — Não precisa, mãe. Eu já almocei. — Ela respondeu. — Vou ir arrumas minhas coisas. Eleanor subiu a escada caracol e foi para seu quarto, quand chegou ao cômodo ela o encarou com afeto. Tinha sentido saudades daquele lugar. Ela foi até a janelas e abriu as cortinas, em seguida organizou a bagunça que havia deixado, depois esvaziou sua mochila e guardou seus objetos. Seu quarto estava totalmente organizado. Ela deitou na cama e encarou o teto. Está tudo bem. Ela disse a si mesma. — Hey. — Rae bateu na porta e a abriu com cuidado. — Posso entrar? — Claro. — Eleanor se sentou na cama, Rae fechou a porta e sentou ao seu lado. — Estou tão feliz que esteja aqui. — Eu também. — Eleanor pegou uma mecha do cabelo de Rae e a enrolou no dedo. — Eu te amo. — Eu também te amo. — Rae sorriu e deu um selinho em Eleanor. — Vem aqui. — Ela se deitou na cama e Rae se aconchegou nela, seus pés faziam cócegas um no outro. — Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava fora? — Por que acha isso? — Porque eu te conheço, sei quando há algo errado. Você fica tensa sempre que eu menciono minha mãe e ela também anda diferente. — Impressão sua, Elea. — Confia em mim, Rae. — Eu não devia te falar, mas também acho que não posso esconder isso de você. — Rae abraçou Eleanor mais forte. — Pode falar. — Eleanor a encorajou, seu coração estava acelerado demais parecia querer sair do seu peito. — O meu pai agrediu sua mãe no domingo que você foi embora. — Não acredito. — Eleanor disse nervosa. — Eles te falaram para não me contar? — Não, eles nem sabem que eu sei. Eles chegaram bem tarde e estavam fazendo barulho então fui ver o que tava acontecendo e quando cheguei na escada ele... — Rae respirou fundo. — ele tava rasgando o vestido dela e... — Ela começou a chorar. — não tive coragem de interferir, fiquei em choque e me tranquei no quarto. — Ah, Rae. Acho que foi melhor você não ter feito nada, é melhor planejarmos isso primeiro. — Planejar o quê? — Rae se sentou na cama e encarou Eleanor. — Denunciá-lo e nos mudarmos daqui. — Não posso fazer isso com meu pai, Elea. Sem contar que estou sozinha nesse país. — Você faz dezoito anos em fevereiro, estamos em setembro já. Durante esse tempo você pode ficar comigo e minha mãe. — Tenho que pensar sobre isso. — Tudo bem, vamos com calma. — Eleanor abraçou Rae novamente. Ela entendeu na hora porque sua mãe estava agindo de forma estranha, provavelmente estava preocupada com alguma briga que teve com John.— Mas eles estão conversando? — Sim, como se nada tivesse acontecido. Meu pai não é um monstro, ele não vai cometer isso de novo. — Assim espero, Rae. Eu não vou conseguir confiar nele mais. — Não posso te obrigar a confiar, mas ao menos acredite em mim, Eleanor. Isso não vai se repetir. — Tudo bem. — Eleanor mentiu. — Sinto muito que você tenha passado por isso sozinha. — Eu fiquei bem, só assustada. — Eu nunca mais vou te deixar sozinha, Rae. — Ela passou os dedos na bochecha de Rae. — Você é tão linda. — Você também. — Rae sussurrou. Eleanor beijou Rae, ela trazia toda aquela sensação de que tudo ia ficar bem. Beija-lá naquela hora era muito necessário. *** — É a noite das garotas! — Colette disse animada quando finalmente Rae e Eleanor saíram do quarto. A sala estava toda enfeitada com pisca-pisca coloridos e bandeirolas vibrantes, dando um ar festivo ao ambiente. No chão, dois colchões de solteiro estavam preparados com travesseiros fofos e cobertas macias, prontas para a maratona de filmes. Sobre a mesa, uma verdadeira festa de besteiras: pipoca, salgadinhos, doces variados e uma jarra de suco bem gelado. A televisão gigante iluminava a sala com o catálogo da Netflix aberto, esperando a escolha do primeiro filme da noite. — Não acredito que fez tudo isso sozinha. — Eleanor disse, admirada, girando nos calcanhares para observar cada detalhe. — E não fez, eu a ajudei. — Rae piscou o olho para ela, um sorriso travesso no rosto. Eleanor riu e se jogou no colchão, abraçando um travesseiro macio, sentindo-se confortável naquele cenário perfeito. Antes que pudesse dizer algo, a campainha tocou. Colette saltou do sofá e foi até a porta, abrindo-a com um sorriso largo. — Só faltava você. — Ela disse ao ver Jane parada ali. Jane entrou e imediatamente ficou estupefata com o que via. Seus olhos correram pela decoração caprichada, os pisca-piscas, os colchões no chão, a mesa repleta de comida e a televisão gigante brilhando no canto da sala. — Essa casa é incrível! — Ela exclamou, ainda absorvendo tudo. — Eu sei. — Rae respondeu com desdém, mexendo no cabelo com falsa superioridade. Jane estreitou os olhos e, sem hesitar, pegou uma almofada do sofá e a atirou diretamente no rosto de Rae. — Ei! — Rae protestou, rindo. — Podemos dar início à noite das garotas? — Eleanor perguntou animada, abrindo uma latinha de refrigerante com um estalo. As quatro se acomodaram no chão, fazendo guerra de travesseiros antes de finalmente escolherem um filme. O resto do sábado foi pura diversão. Entre risadas e conversas animadas, assistiram comédias românticas e filmes de terror, alternando entre gritos e gargalhadas. Comeram sem culpa todas as besteiras da mesa, brincaram de desafios bobos e até jogaram alguns jogos de tabuleiro, mergulhando na nostalgia da infância. Por volta de onze da noite, quando o clima já estava mais tranquilo e as garotas conversavam preguiçosamente, ouvindo a trilha sonora do último filme que tinham assistido, a porta se abriu. John entrou em casa, parecendo relaxado, seu rosto iluminado por um sorriso amigável. — Boa noite, meninas. — Ele cumprimentou de forma alegre, seu tom casual, quase caloroso. As garotas responderam em coro, algumas acenando de maneira distraída. John caminhou até Colette e depositou um beijo carinhoso em sua testa, um gesto que, para qualquer um, pareceria natural e afetuoso. Mas Eleanor, que observava tudo com atenção, notou algo diferente. O olhar de sua mãe desviou rapidamente, sua postura ficou rígida por um segundo, e havia algo em sua expressão... algo que Eleanor não gostou. Seus olhos não brilharam com ternura, mas sim com um medo contido, como se estivesse se forçando a agir normalmente. Eleanor franziu levemente a testa, o refrigerante em sua mão agora esquecido. O que estava acontecendo ali? *** Eleanor acordou em seu quarto, Rae estava agarrada a ela e com uma expressão Serena no rosto. Jane estava deitada em um colchão no chão lendo um livro. — Bom dia, Jane. — Argh, vocês são tão grudentas. — Jane se sentou na cama e olhou para as duas abraçadas uma a outra. Eleanor não queria levantar, queria ficar deitada até tarde sentindo o cheiro de morango típico do cabelo de Rae. — Ela é tão linda, Jane. — Eleanor disse acariciando o rosto de Rae. — Eu queria ficar aqui para sempre. — Quê? — Rae disse sonolenta. — Vai com calma, Eleanor. Você a assusta. — Jane levantou e jogou um travesseiro em Eleanor. Rae se sentou na cama e encarou as duas fingindo estar nervosa, mas logo sorriu. — Sabe o que eu tava pensando? — Ela disse se recuperando do sono. — O quê? — Jane se sentou na cama. — Se meu pai e Colette sabem de mim e Eleanor. — Acho que não. — Eleanor disse pensativa, mesmo que sua mãe soubesse não seria um problema. — Eu acho que devem desconfiar. — Jane deu de ombros. — Só de ver o modo como vocês se encaram, já fica óbvio. Depois de arrumarem o quarto as três desceram para tomarem o café da manhã, John e Colette estavam sentados em frente à mesa farta de café da manhã. — Garotas, o que acham de um dia em família na praia? — John sugeriu e pegou a mão de Colette. — Nós nunca saímos juntos e acho que isso seria importante. — Pode ser. — Rae respondeu de imediato. — Sim, vai ser legal. — Eleanor disse. No fundo não queria, ela não queria ficar ao lado de John, não queria fingir que tudo estava bem quando não estava, não confiava nele e queria manter distância. No entanto, aquilo era importante para Rae, isso era inegável, então ela se ia se esforçar para fazer o dia ser bom. — Se quiser, pode ir conosco Jane. — John continou. — Não posso ir, meu irmão mais velho veio de Orlando para almoçamos juntos, mas agradeço o convite. — Ela sorriu.
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