A mãe de Jane a buscou pouco tempo depois do café da manhã, e a despedida foi repleta de abraços e promessas de novos encontros. Assim que Jane se foi, o grupo começou a se preparar para o passeio do dia. O sol brilhava forte no céu azul sem nuvens, e o calor do verão tornava a ideia de ir à praia ainda mais convidativa.
Depois de arrumarem bolsas com protetor solar, toalhas e algumas trocas de roupa, eles entraram no carro e partiram. A viagem foi tranquila, acompanhada por uma playlist animada que tocava no rádio, com Colette e Rae cantando trechos das músicas entre risadas. Eleanor olhava pela janela, sentindo-se estranhamente feliz e ansiosa ao mesmo tempo.
Já era quase horário do almoço quando chegaram ao destino. O cheiro salgado do mar misturado com a brisa quente fez todos se sentirem instantaneamente relaxados. O movimento na praia era intenso, com crianças correndo pela areia e grupos espalhados em barracas coloridas. Mas antes de curtirem o mar, decidiram procurar um restaurante para almoçar.
Escolheram um lugar aconchegante à beira-mar, com grandes janelas abertas que permitiam a entrada da brisa e uma vista privilegiada das ondas quebrando suavemente na areia dourada. As mesas de madeira rústica combinavam perfeitamente com o ambiente praiano. Eles se acomodaram ao fundo, onde podiam observar o movimento sem pressa.
Não demorou muito para que um garçom viesse atendê-los. O cardápio oferecia frutos do mar frescos e pratos típicos da região. John pediu um peixe grelhado, Colette escolheu uma salada refrescante, e Eleanor e Rae optaram por pratos de massa com molho leve.
Enquanto aguardavam a comida, Rae se inclinou levemente para Eleanor, aproximando-se o suficiente para que sua respiração quente roçasse a pele da garota.
— Acho que devemos falar sobre nós, Elea. — Rae sussurrou em seu ouvido, sua voz doce, mas carregada de expectativa.
Eleanor desviou o olhar rapidamente para John e Colette, que pareciam distraídos, bebendo e observando o mar.
— Acha que é o momento certo? — Ela respondeu no mesmo tom baixo.
— Sim. — Rae sorriu, inclinando-se ainda mais. — Não vou conseguir ficar a tarde toda sem te beijar.
Antes que Eleanor pudesse responder, Rae deu uma mordida leve e provocativa em sua orelha, fazendo um arrepio percorrer todo o seu corpo. Eleanor sentiu o rosto esquentar e respirou fundo para se recompor.
— Ok, você começa.
Rae endireitou a postura, ajeitou o cabelo e, de repente, elevou um pouco a voz.
— Pai e Colette. — Ela chamou a atenção dos dois, que imediatamente desviaram o olhar do mar para encará-las. — Eu e Eleanor temos um comunicado a fazer.
Colette arqueou as sobrancelhas com curiosidade.
— Estou ansiosa para saber.
Eleanor sentiu o coração acelerar, mas apertou a mão de Rae sob a mesa antes de finalmente dizer:
— Então... eu e Rae estamos namorando.
O silêncio que se seguiu durou apenas um instante, mas pareceu uma eternidade para Eleanor.
— O quê? — John arregalou os olhos, claramente pego de surpresa.
Colette, por outro lado, abriu um sorriso tranquilo e, sem hesitar, estendeu a mão para Eleanor, apertando-a com carinho.
— Fico feliz por isso, filha. Estou sempre ao seu lado.
As palavras de Colette fizeram os olhos de Eleanor marejarem. Ela havia imaginado tantos cenários ruins, tantos desfechos diferentes para essa conversa, mas nunca um em que sua mãe aceitasse tudo tão naturalmente.
— Obrigada, mãe. — Sua voz saiu embargada, e ela precisou piscar algumas vezes para conter as lágrimas.
John suspirou, ajeitou os talheres sobre a mesa e, depois de alguns segundos de reflexão, sorriu.
— Também fico feliz por vocês duas. Quero que sejam muito felizes.
Rae soltou um suspiro aliviado e segurou a mão de Eleanor mais firme.
— Isso merece um brinde, não é? — Colette ergueu sua taça de vinho, sorrindo.
John pegou seu copo e fez o mesmo. Eleanor e Rae, ainda um pouco emocionadas, ergueram seus copos de refrigerante, brindando ao momento que, para elas, era um grande marco.
Depois do almoço, decidiram caminhar pela praia. O sol estava começando a descer no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados. O vento era agradável, e as ondas quebravam suavemente nos pés descalços enquanto andavam lado a lado na areia fofa.
John e Colette seguiam na frente, conversando sobre a viagem e os planos para os próximos dias. Já Eleanor e Rae caminhavam mais devagar, aproveitando a tranquilidade do momento.
— Isso foi menos assustador do que eu imaginava. — Eleanor comentou, entrelaçando os dedos aos de Rae.
— Eu disse que ia dar tudo certo. — Rae sorriu. — Mas você ficou tão tensa que achei que ia desmaiar.
— Eu quase desmaiei mesmo.
As duas riram e continuaram andando, observando o mar e as gaivotas que voavam baixo sobre a água.
Com o tempo, John e Colette decidiram voltar ao restaurante, mas Eleanor e Rae optaram por ficar andando mais um pouco pela praia. Sentaram-se sobre a areia fria, ouvindo o som das ondas enquanto conversavam sobre tudo e nada ao mesmo tempo.
Falaram sobre o futuro, sobre viagens que gostariam de fazer juntas, sobre os medos e expectativas que carregavam. Cada palavra trocada parecia aproximá-las ainda mais, e, quando a noite caiu completamente, Rae puxou Eleanor para um abraço apertado.
— Acho que essa foi uma das melhores noites da minha vida.
— A minha também. — Eleanor respondeu, sorrindo contra o peito de Rae.
Quando finalmente decidiram voltar, a praia já estava quase deserta, e o ar noturno estava fresco e agradável. Caminharam de mãos dadas pelo calçadão iluminado, sabendo que, a partir daquele dia, tudo parecia ainda mais certo entre elas.