Capítulo Vinte

1421 Words
1 mês depois... Era véspera da véspera de Natal, e o espírito natalino já tomava conta de Eleanor. Desde pequena, ela sempre amou essa época do ano. Era seu feriado preferido, e nada superava a sensação aconchegante que essa data lhe proporcionava. O clima frio, as ruas enfeitadas com luzes piscantes, as reuniões em família, o cheiro de chocolate quente e biscoitos assando no forno – tudo isso lhe trazia um conforto imensurável, uma felicidade genuína que nenhuma outra data conseguia lhe proporcionar. No Natal passado, as coisas haviam sido diferentes. Sua mãe não a deixou ir para a casa do pai, então ela passou a data com sua família materna. Apesar da decepção inicial, foi uma celebração incrível. Ela passou o dia todo com seus primos na casa de praia do avô, jogando conversa fora, rindo e se divertindo sem preocupações. Rae também esteve presente, já que seu pai havia escolhido trabalhar no dia e toda a sua família morava no México. Ter a amiga ao seu lado tornou aquele Natal ainda mais especial. Agora, Eleanor queria que este Natal fosse igualmente memorável. Ela, Rae e Colette estavam na cozinha, envolvidas em uma nova tradição: fazer biscoitos de gengibre, um costume da família de Rae. Colette achou que seria uma boa ideia para passar o tempo e também para fazer com que Rae se sentisse em casa. A noite já havia caído, e a neve caía suavemente do lado de fora, cobrindo a paisagem com um manto branco brilhante. Dentro de casa, o ambiente era acolhedor e iluminado por luzes natalinas. O cheiro doce dos biscoitos enchia a cozinha, misturado ao aroma quente de canela e chocolate. — Me passa os confetes? — Rae pediu a Eleanor, segurando um biscoito recém-decorado. Eleanor pegou o potinho de confetes coloridos e entregou para a amiga. — Meu biscoito está com frio. — disse, levantando a mão para mostrar sua criação. Com muita dificuldade, conseguiu desenhar um casaco de cobertura de chocolate sobre o bonequinho de gengibre. — Lindo. — Rae sorriu ao observar o biscoito. — Parece você. — Isso é bom. — Eleanor riu antes de inclinar-se levemente para beijar a bochecha de Rae, um gesto carinhoso e natural entre as duas. — John vai trabalhar amanhã? — perguntou, mudando de assunto. — Acho que sim. — Colette respondeu, suspirando levemente. Ela mexia na massa dos biscoitos com um olhar pensativo. — Eu não entendo essa obsessão dele por trabalhar. — Eu m*l passo tempo com ele. — continuou, com um tom de frustração. — Eu também não. — Rae disse chateada, enquanto ajudava Eleanor a polvilhar os granulados nos biscoitos. O silêncio pairou por um instante, apenas o som das colheres batendo contra as tigelas preenchendo o ambiente. — Então vamos para a casa do vovô, mãe? — Eleanor perguntou, tentando mudar o clima da conversa. — Eu não sei… — Colette murmurou, sem desviar os olhos da massa. — Por quê? — Eleanor insistiu. — Não estou muito animada. — Foi muito legal no ano passado. — Rae comentou, tentando animá-la. — Seus primos são tão alto astral. — Não é? Vamos, mãe. — Eleanor incentivou. Colette hesitou antes de balançar a cabeça. — Acho melhor não. Eleanor revirou os olhos antes de tentar outra abordagem. — Então posso passar o Natal com o meu pai? Eu e a Rae? E você, se quiser ir também… Colette soltou um suspiro longo antes de responder: — Vou pensar no seu caso. — disse, lavando as mãos e colocando mais uma bandeja de biscoitos no forno. — Mas é claro que eu não vou. Eleanor franziu a testa. — E vai ficar aqui sozinha? — Não me importo. — Sério, mãe. Você não pode passar o Natal sozinha. Colette sorriu de leve e colocou a mão no ombro da filha. — Fica tranquila, Eleanor. Vou ficar bem. Eleanor suspirou, sabendo que não adiantaria insistir. — Se está dizendo… Ela se virou para Rae, retomando a empolgação. — Você vai amar conhecer minha família paterna. Sempre comemoramos no sítio. As lembranças dos Natais passados vieram à sua mente. Quando seus pais ainda eram casados, toda a família se reunia no interior da cidade, onde seus avós tinham um sítio. A casa era grande e acolhedora, e, apesar da família ser pequena — seu pai só tinha um irmão e uma irmã —, as celebrações eram sempre animadas, repletas de brincadeiras, boa comida e risadas que ecoavam pela propriedade. — Tomara que dê para a gente ir, parece tão legal. — Rae disse, seus olhos brilhando com expectativa. — Se a gente for, vamos sair amanhã cedinho. — Eleanor declarou, encarando Rae com um sorriso. Havia algo especial na forma como disse isso, quase um sussurro carregado de promessa. — Vai ser o nosso melhor Natal. Eu vou fazer com que seja o melhor da sua vida. A intensidade do momento fez com que Eleanor se inclinasse para Rae, aproximando-se sutilmente para beijá-la. Seus olhos se fecharam ligeiramente, mas, antes que seus lábios se encontrassem, um som repentino as fez congelar. Colette tossiu de propósito, forçando um afastamento imediato entre as duas. Eleanor pigarreou e tentou disfarçar, voltando a atenção para a mãe. — E aí, mãe? — perguntou, tentando parecer casual. Colette cruzou os braços e lançou um olhar de quem já sabia o que estava acontecendo, mas não comentou nada. — Podem ir. — respondeu, e um sorriso vitorioso se formou no rosto de Eleanor. — Vou avisar o Darin para buscar vocês amanhã. Deixem suas coisas arrumadas. Eleanor m*l conseguiu conter a empolgação. — Eu m*l posso esperar! — disse, animada, tirando o avental e pendurando-o ao lado da geladeira. Ela olhou para Rae, que sorria tanto quanto ela. — Vamos lá arrumar nossas coisas. — anunciou, pegando a mão da amiga e puxando-a em direção às escadas. O dia seguinte prometia ser inesquecível. *** Eleanor e Rae foram para seus quartos para arrumarem suas malas. Eleanor estava tão feliz de passar o natal com sua família paterna, o sítio era muito grande e ela ainda iria se reunir com seus primos como não fazia há algum tempo e Rae estaria ao seu lado, seria tudo perfeito. — Arrumei tudo. — Rae entrou no quarto. — Já estou acabando de arrumar também — Eleanor fechou sua mochila e a colocou em um canto. — Precisamos dormir, a gente deve sair cedo amanhã. — Com certeza. — Rae se jogou na cama de Eleanor. — Só vou dar boa noite para minha mãe. — Ela caminhou até a porta. — Diga que também mandei boa noite. Eleanor saiu e foi até o quarto de sua mãe, ela estava se despedindo de Darin no telefone. Era tão raro que os dois não estivessem xingando um ao outro. — Seu pai disse que vocês vão para o sítio mesmo. ─ Colette disse alegre. ─ Está alegre, porque vai nos despachar, não é? — Eleanor brincou. ─ Não, é porque vou com vocês. ─ O quê? ─ Eleanor disse estupefata e feliz ao mesmo tempo. ─ Não acredito! — Vou sim, seu pai me convenceu a ir, porque não queria que eu ficasse sozinha, além disso, disse que vou fazer companhia para sua tia Diana que separou recentemente. — Ele ainda se importa com você. — Eleanor disse pensativa e Colette sorriu de leve. ─ Não exagera. — Ela pegou uma bolsa pendurada perto da porta. — Vou arrumar minhas coisas tambem, vamos sair oito da manhã, e vamos no meu carro. Seu pai vai na nossa frente. — Tudo bem, boa noite, mãe. — Boa noite. Eleanor voltou para seu quarto e se deparou com Rae enrolada em seus cobertores como uma criança. Eleanor fechou a porta e apagou a luz, deixando apenas o abajur ao lado da cama ligado. Depois se deitou ao lado de Rae e a abraçou por trás, ela estava quentinha e usando uma camisola fina, dava para sentir seu corpo através dela. — Você colocou essa camisola de propósito? — Eleanor perguntou ao ouvido de Rae. — Não. — Ela sorriu — Jura? — Eleanor fez carinho na coxa exposta de Rae e subiu até sua cintura fina, a pele dela era tão macia. — Aham. — Rae disse com a voz fraca. Eleanor demorou um tempo para pegar no sono, ficou pensando em como seria o próximo dia, ela estava tão ansiosa, tinha tantos planos em mente, mas no fundo sentia medo daquilo tudo durar pouco.
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