Júlia narrando
Depois que o Ws deixou eu e o Théo na minha casa, ele foi buscar minha amiga, aquela desmiolada que nem aqui me esperando não estava, quando nós vimos foi muito choro e abraço embora nos falássemos quase todos os dias eu sentia muita falta de ter a Cami ao meu lado, ela sempre foi como minha irmã. Deixo ela babando um pouco no seu afilhado enquanto jogo uma água no corpo, a viagem foi longa e cansativa, e agora mesmo que ainda com medo consigo respirar um pouco aliviada.
Confesso que fiquei muito balançada quando vi o Terrorista ali na minha frente, pensei que vê-lo novamente depois desses anos seria fácil mas a verdade é que ele ainda faz aquelas borboletas dançarem no meu estômago, mas eu não posso deixar que essa paixão se acenda dentro de mim, só eu sei tudo o que passei, e o quanto chorei até me tornar a mulher que sou hoje.
Nem mesmo a água gelada caindo sobre meu corpo é capaz de tirar a tenção e a bagunça que está minha cabeça nesse momento, são tantas incertezas e medos que não consigo me desligar.
Depois de alguns minutos de baixo da água saio e coloco um shortinho curto e uma camiseta que a Cami trouxe pra mim, confesso que senti muita falta até mesmo do calor do Rio, quando saio do banheiro vou até a sala aonde minha amiga está brincando com o Théo assim que vou abrir a boca pra contar pra minha amiga tudo o que houve batem na porta, e tenho certeza que é algum dos vapores com minhas bolsas mas pra minha surpresa quando abro a porta dou de cara com o terrorista e de imediato fico sem reação, eu esperava que algum vapor ou até mesmo o Ws fosse trazer minhas coisas e não o próprio terrorista.
Abro a porta um pouco mais para que ele possa entrar já que está carregando minhas coisas. Assim que ele coloca a última mala no canto da sala ele fica me olha de cima a baixo e reconheço bem esse seu olhar de cobiça, ele então olha em direção ao sofá aonde minha amiga está sentada com o Théo no colo, percebo que ele olha diretamente pro meu filho e faço um sinal disfarçado para que a Camila leve ele, sei que mais cedo ou mais tarde vou ter que contar pro Bruno que o Théo é seu filho, mas tenho medo da reação que ele vai ter, sei que se ele olhar com um pouco mais de atenção irá perceber a grande semelhança entre eles.
Assim que estamos a sós ele volta sua atenção pra mim e vem andando em minha direção que automaticamente vou andando pra trás até bater na parede, involuntariamente fecho meus olhos ansiando o que vai acontecer mas então tenho um momento de lucidez e empurro ele pelo peito.
Júlia- Bom, obrigado por trazer minhas coisas. Se não se importa estou cansada, preciso cuidar do meu filho e descansar da viagem.- Falo nervosa pelo que quase aconteceu.
Depois que ele vai embora eu me encosto na porta e solto o ar que eu nem sabia que estava segurando, vou sentido ao quarto e percebo que o Theo esta dormindo sobre a cama, nem banho ele esperou pra tomar, a viagem foi muito cansativa principalmente pra ele que está imerso a todos os acontecimentos das ultimas horas.
Minha amiga me acompanha até sala aonde eu conto a ela tudo o que aconteceu, desde o momento que o Gustavo chegou em casa até minha volta ao morro, entre choros e soluços consigo me sentir mas calma sobre o abraço da minha amiga.
Camila- Você acha que virão atrás de você?- minha amiga pergunta com o semblante preocupado
Júlia- Sinceramente eu não sei, o pai do Gustavo me mandou mensagens de ameaça e sei que ele é capaz de cumprir todas elas, estou me apegando na ilusão deles não suspeitaram que voltei pro Rio, sei que de certa forma estarei segura aqui no morro.
Camila- você pretende contar pro chefe o que está acontecendo?
Júlia- Eu vou ter que fazer isso Cami, eu estou com tanto medo, não sei como ele vai reagir em saber que escondi dele seu filho, que só voltei pra cá porque quase matei alguém.- falo voltando ao meu estado de desespero
Camila- Calma, nesse primeiro momento você tem que pensar com clareza, nós vamos dar um jeito nessa situação, sei que você tá com medo de tudo o que pode acontecer, e realmente o terrorista não vai reagir bem quando souber disso tudo, mas tenho certeza de que ele não vai deixar você nem o thethéo desamparados.
Júlia- tomara que você esteja certa amiga, porque se não nem sei o que fazer.
Camila- Agora vamos colocar as roupas que trouxe no lugar, ligar pra sua tia e assim que o Théo acordar vamos subir na tia Cida pra comermos, sei que você deve morrer de saudade daquele tempero, cinco anos é muito tempo.- Minha amiga fala dando risada e de certa forma consegue me relaxar um pouco.
Depois de colocar as poucas coisas no lugar, ligo para tia Rita avisando que chegamos bem, ele diz que viu algumas notícias que o filho do governador de Minas Gerais sofreu um atentado e estava fora de perigo, mas não foi falado em nenhuma possível suspeita de quem tivesse cometido o crime, isso de certa forma me deixou mais tranquila, sinal de que não haviam me incriminado, depois de uns minutos tranquilizando ela encerro a ligação e decido acordar o Théo, ele precisa de um banho e comer algo reforçado.
Coloco um conjunto da Nike verde água e minhas havaianas, vesti o Théo com um conjunto igual ao meu, assim que nos trocamos pego a carteira e saímos pelo morro sentido ao restaurante da tia Cida que fica na praça no centro do morro, minha casa não é tão distante mas confesso que o carro ajudaria muito, afinal de contas o calor está judiado.
A Camilla vai o caminho todo brincando e fazendo gracinhas pro Théo, assim que chegamos no restaurante avisto o terrorista com o Ws, e mais alguns meninos, quero evitar ao máximo o encontro com o Bruno, então abaixo a cabeça ao passar pela mesa deles, mas pro meu azar o Ws chama a Camila, na mesma hora pego o Théo que agora estava em seu colo e vou em direção ao balcão, minha intenção era comer aqui mas tendo em vista quem está aqui acho melhor pegar o pedido pra viagem, quando me aproximo do balcão peço a atendente o cardápio que me entrega sorrindo.
Tia Cida- meu Deus, eu não acredito; como você mudou menina, está mais linda do que eu me lembrava.- a tia Cida vem do caixa me cumprimentar.
Júlia- tia quanto tempo, que saudades!- falo dando um abraço apertado nela, a tia Cida tem um restaurante no morro que deixa muitos do asfalto no chão, ela era grande amiga da minha mãe.
Tia Cida- você está tão linda, muito parecida com sua mãe, e eu sinto muito por sua perda, e lamento mais ainda por não ter conseguido ir ao enterro, mas você sabe não tinha como deixar o restaurante sem ninguém.
Júlia: Obrigada tia, e sem problemas eu sei o quanto a senhora e minha mãe eram amigas. Mas me diz aí, o que tem de gostoso aí hoje? Estou morrendo de fome e com saudade do seu tempero. - digo fazendo biquinho.
Tia Cida- tem seu prato preferido, lasanha ao molho branco, e esse garotão aqui, é o seu bebê?- fala fazendo cosquinhas no Théo que se contorce em meu colo dando risada
Júlia: É sim tia, o homem da minha vida.- falo dando um beijo na bochecha gordinha do Théo
Tia Cida: Sua mãe era boba por esse menino, ela me mostrou algumas fotos de vocês mas ele é ainda mais lindo pessoalmente. Vai querer a lasanha mesmo ou vai escolher outra coisa?
Júlia- meus pais eram apaixonados por ele, e mesmo longe se faziam muito presentes; e sim tia vou querer a lasanha, mas vou levar ok? E pode fazer duas acho que a Camila vai escolher o mesmo- falo dando risada
Tia Cida: Pode deixar, eu mesmo vou preparar e vou caprichar pra você. - ela fala indo pro lado de dentro do balcão e dando um pirulito ao Théo que recebe com o rostinho corado de vergonha.
Após alguns minutos a Camila vem em minha direção e ficamos conversando até nosso pedido ficar pronto, aviso pra ela que pedi pra viagem e nem se quer precisei explicar o motivo. Mesmo que involuntariamente me pego olhando pro terrorista que pra minha surpresa não tirou os olhos de mim, quebro nossa troca de olhares me virando e ficando de costas pra mesa aonde ele está, sigo conversando com minha amiga quando escuto uma voz fina e insuportável invadir o local e mesmo estando um pouco afastada não tem como não ouvir já que a gata parece ter um microfone na garganta.
Carol: amor, porque não foi pra casa almoçar? Fiquei te esperando.- Juro que me da náusea só de ouvir ela falar
Terrorista: Pow, tava resolvendo uns b.o na boca e vim comer aqui na tia Cida mesmo.
Carol: amor, preciso de dinheiro pra ir no shopping comprar algumas coisas, meu cartão sumiu tive que cancelar e pedir outro.
A mocinha que estava no balcão veio até mim me entregando meu pedido e quando fui pagar no caixa a tia Cida não quis cobrar, disse ser por conta da casa pra matar a saudade, e mesmo depois de muita insistência ela não deixou eu pagar, agradeci ela dando um beijo e um abraço, enquanto eu segurava a mão do Théo, minha amiga carregava as sacolas, vamos saindo do restaurante pra voltar pra casa e assim que passamos pela mesa aonde o terrorista está vejo a Carol me olhar de cima baixo e fazer cara de nojo. Passo com minha melhor cara de paisagem, mas então o Ws se levanta vindo em nossa direção nos acompanhado.
Chegando do lado de fora do restaurante ele se abaixa ficando na altura do Théo e diz que depois vai levar ele pra dar umas voltas de moto pelo morro, ele só pode estar doido se acha que vou deixar meu menino andando com ele de moto por aí que nem doido.
Júlia: Ws será que vão demorar pra ver o carro?
Ws: Pow loirinha, os menor tava dando uma limpa lá, sair daqui vamos pra boca vou ver certinho e te levo se tiver tudo certinho.
Júlia: tá bom, obrigado por isso.- Falo dando uma piscada em sua direção.
Ele dá um beijo na Camila que fica toda boba, esses dois são um caso sério, são anos nessa enrolação, mas os dois são cabeça dura demais pra se resolverem. Quando estamos quase chegando em casa vejo a otaria da Carol passar de carro com a Bruna, certas coisas nunca mudam, continuam se achando essas duas.
Entramos em casa e vamos comer e meu Deus eu tinha me esquecido de como a comida do restaurante da tia Cida era boa, depois de comermos a Camila me pede se pode levar o Théo até sua casa para sua mãe ver ele, como estou cansada concordo e aproveito pra descansar um pouco, estou tão cansada e com tanto sono por não ter dormindo direito desde que tudo aconteceu que nem percebo quando finalmente durmo, acordo um tempo depois com o susto de alguem batendo na porta.