Arcanjo Narrando Encarei o canto, vi quando o caveirão avançava, cuspindo uma bala ou outra pra dispersar. As faíscas brilhavam nas barricadas de lata e madeira. Mergulhei pra trás do muro, engatilhei e puxei a trava do fuzil: — É agora, porra... — falei pra mim mesmo, o coração a mil. Um policial apareceu de escudo, meio que se arriscando no meio do beco, dando cobertura pros colegas. Nem pensei duas vezes: meti o cano do fuzil na fresta do muro e soltei uma rajada rápida, “papapapá,” e vi o escudo balançar. Não sei se furei, mas o cara recuou. Meu sangue ferveu, senti aquela sensação doida: entre medo de morrer e t***o pela guerra. Mais tiros ressoaram lá embaixo, e ouvi gritarem: — Avança, avança! — vozes da PM, distantes, mas poderosas. — Filhos da p**a tão vindo de outro canto

