Capítulo 7 — O Corpo Não Mente

1034 Words
Baixei meu rosto, buscando a boca dela novamente, ignorando seus protestos abafados. Por um segundo, ela parou de lutar. O corpo dela relaxou sob o meu, e seus lábios se entreabriram. Eu achei que tinha vencido. Achei que ela tinha cedido ao fogo que nos consumia. Então, a dor explodiu. Ela cravou os dentes no meu lábio inferior com uma força selvagem. O gosto metálico inundou minha boca instantaneamente. Recuei bruscamente, arfando, o choque misturado à adrenalina. Júlia aproveitou a brecha e se levantou no sofá, ficando de joelhos sobre o estofado, mas ainda encurralada pelo meu corpo. Levei a mão aos lábios. Quando olhei para os meus dedos, havia sangue. Olhei para ela. Havia sangue na boca dela também — o meu sangue —, manchando os lábios inchados de vermelho vivo. Ela arfava, o peito subindo e descendo violentamente. A visão era o caos perfeito. Os cabelos dela estavam selvagens, emaranhados ao redor do rosto pálido. O vestido tinha escorregado de um dos ombros, a alça caída pelo braço, e o decote estava perigosamente baixo. Os s***s dela, que sempre foram grandes demais para a minha sanidade, estavam quase saltando para fora, a pele branca e macia exposta e marcada pela minha pegada anterior. As pernas abertas e levantadas o vestido mostrando o ponto exato aonde eu queria me enterrar. Aquilo não me parou. Pelo contrário. Aquela visão de fúria e desordem me deu um p**a t***o, algo primitivo que fez meu lobo rosnar em aprovação. Eu não via a esposa rejeitada; eu via uma fêmea que mordia de volta e eu amava. Avancei de novo, a intenção clara nos meus olhos de terminar o que comecei. Mas ela ergueu os braços, as palmas abertas contra o meu peito, me empurrando com toda a força que tinha. — Gabriel, para com isso! — ela gritou, a voz rouca. — Qual o seu problema? Eu travei, meus músculos retesados, a respiração pesada batendo contra o rosto dela. — Você assina o divórcio e depois quer o quê? Me comer aqui com a mansão lotada? — ela cuspiu as palavras, os olhos amarelos faiscando de desprezo. — Você não vive dizendo que me odeia? O silêncio que caiu entre nós foi pesado, cortado apenas pelas nossas respirações descompassadas. O cheiro de sangue e sexo estava impregnado no ar. — Acabou, Gabriel — ela disse, a voz trêmula, mas firme. Ela puxou a alça do vestido para cima, cobrindo-se, um gesto que me irritou profundamente. — Vai lá viver sua vida com a Jade. E eu vou viver a minha. Eu ouvia as palavras dela. Entendia o significado racional de "acabou". Mas eu não estava pensando com a cabeça de cima. Meu m****o estava duro, latejando contra o tecido da calça, uma dor física que clamava por ela. Eu sentia o cheiro do desejo dela — úmido, doce, traidor — se misturando ao cheiro metálico do sangue em nossos lábios. Razão era algo que eu não tinha, e nunca tive, quando se tratava de Júlia. E, para a minha desgraça, ela me conhecia muito bem. De um jeito que eu odiava admitir. Ela conhecia meus gatilhos, meus pontos de quebra, meus silêncios. Ela me conhecia melhor do que a Jade jamais sonhou conhecer. Júlia via as sombras que ninguém mais via. A fúria nos olhos dela se dissipou, substituída por algo pior: cansaço. Ela se aproximou de mim com movimentos tranquilos, quase irreais depois da violência de segundos atrás. Ela se sentou no meu colo. O peso dela era familiar, o encaixe perfeito que meu corpo reconhecia antes mesmo do meu cérebro. Ela colocou as mãos no meu rosto, as palmas frias contra a minha pele febril. Os olhos amarelos dela encontraram os meus, e não havia ódio ali. Havia tristeza. Estavam marejados. — Eu te amei tanto, Gabriel... — ela sussurrou, e o uso do verbo no passado foi como uma facada no estômago. — Mas agora acabou e você sabe disso. Não vamos repetir os mesmos erros. E eu sinto muito... por tudo. Ela baixou o rosto lentamente. Eu deveria empurrá-la. Deveria dizer que não queria a pena dela. Mas minha boca se abriu instantaneamente, faminta, desesperada. Minhas mãos voaram para a cintura dela, apertando a carne macia e encaixando-a firmemente contra a minha ereção dolorida. O beijo começou devagar. Eu me acalmei. O caos na minha mente silenciou. Senti a língua dela na minha, o gosto dela misturado com a vodka e o sangue. Era um gosto de despedida, mas meu corpo reagiu como se fosse uma promessa. Ela interrompeu o beijo, mas não se afastou. Ela me abraçou, envolvendo meu pescoço, colando o corpo dela no meu. E, naquele momento, eu não consegui odiá-la. Nem por um segundo. Meu lobo ronronou de prazer dentro do meu peito. Ele vibrava com o toque dela, com o cheiro dela, com o fato absurdo de que aquela mulher conseguia me incendiar e, em segundos, me acalmar como ninguém mais fazia. — Eu só quero que a gente se dê bem pelos meninos, tá? — ela pediu contra o meu ouvido, a voz embargada. Ela me desarmou completamente. A guerreira tinha ido embora; a mãe estava ali, pedindo trégua. Eu não consegui responder. O nó na minha garganta era grande demais. Ela se levantou do meu colo. O frio que me atingiu quando o calor dela se afastou foi físico. Ela me deu um último beijo — um selinho rápido, casto, doloroso — antes de caminhar até a porta. O clique da fechadura soou como um tiro. A porta se fechou. E eu fiquei ali, sentado no sofá, com o gosto dela na boca e o documento de divórcio na mesa. A liberdade deveria ter gosto de triunfo, mas na minha boca só havia o gosto amargo de cinzas. Por que a ideia de vê-la "viver a vida dela" longe de mim parecia mais uma sentença de morte do que um alívio? "Você vai mesmo deixá-la ir?" — meu lobo Gideon uivou dentro de mim, arranhando meu peito com uma angústia primitiva que minha mente humana não conseguia mais silenciar. A verdade me atingiu com a força de um soco. Eu não queria deixá-la ir.
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