Acordo com uma baita dor de cabeça, abrir os olhos se torna uma missão Impossível.
Vou para a beirada da cama e pego, o celular para ver a hora, estava no dirct do insta, nossa com quem eu estava conversando?
Brian Addington e minha última mensagem é "Boa noite gostosão." Levo um susto e caio da cama.
Tina - p**a MERDA - Não acredito que fiz isso, a Bruninha vai chorar de rir quando eu contar
Abi - Tina! Está tudo bem? Eu ouvi um barulho! - Levantei e abri a porta do quarto.
Tina - Tá tudo bem, eu só adicionei o cara da cafeteria, e eu lembro bem levemente, que o mesmo me prensou na parede ontem no barzinho, conversei com ele pelo insta e disse "Boa noite gostosão", eu nunca falei isso pra ninguém, eu morro de vergonha, como vou olhar pra ele de novo, e o Brandon, o que ele vai pensar de mim, nossa minha cabeça está explodindo, tem noção que eu nunca fiquei bêbada, ah e o barulho que ouviu, era eu caindo da cama quando li a mensagem. - Abi nem conseguia falar nada, eu não dava tempo, então ela começou a chorar de rir da minha cara. - O que foi?
Abi - Não entendi absolutamente nada do que você falou, desculpa amiga, mas você deverá me ensinar português, pois quando der uma crise dessa, eu vou conseguir te entender - Ela ria que chegava descer lagrimas dos seus olhos, então comecei a rir também.
Tina - Eu estava falando em português? - ela assente com a cabeça, sem conseguir responder, de tanto que ria. - Droga, desculpa, eu nunca bebi, e ontem eu achei a bebida tão docinha, acho que tomei umas cinco.
Abi - Eu só entendi Brandon, insta e Brian Addington. Venha vou te fazer um café.
Tina - Vou melhorar minha cara e encontro você. - Vou no meu banheiro, faço minhas higienes pessoais, aproveito e tomo um remédio para dor de cabeça.
Vou para a cozinha, tomo café, mas acho ele muito fraco, o café daqui não é igual ao nosso, e eu necessito de um doce.
Tina – Tem mercado aqui perto?
Abi – Tem, sim, também preciso ir ao mercado, vamos juntas, aproveitar que não devolveu o carro.
Tina – Vamos, eu preciso de um café de verdade, desculpa amiga, mas o café brasileiro é mais forte, não que o seu esteja r**m, mas preciso do brasileirinho. E também preciso te apresentar o meu pretinho favorito.
Abi – O quê?
Tina – Depois que conhecer o brigadeiro, nunca mais vai querer outro doce – ela da risada.
Abi – Você é uma figura. Vamos, e você aproveita e traduz o que tentou me dizer – Ela fala segurando a risada.
Fomos para o carro, e no caminho do mercado eu contei de vagar, tudo o que aconteceu.
Abi – Você não sabe quem é Brian, não é?
Tina – Não
Abi – Ele é o CEO da maior empresa de Michigan e região. – Eu arregalo os olhos.
Tina – p**a merda, a camisa dele deve valer ouro.
Abi – Com certeza amiga, e você vai aceitar o café?
Tina – Não sei ainda, o que acha?
Abi – Eu acho que você é solteira e tem que aproveitar.
Tina – Mas eu gostei de ficar com o Brandon.
Abi – Eu sou suspeita para falar, gosto dele como um irmão.
Tina – Só o que eu sei agora, é que eu quero uma Coca-Cola bem gelada e um brigadeiro de colher.
Abi – Vira a esquerda e chegamos.
No supermercado compramos os perecíveis e muita porcaria também, no caixa dividimos a conta e seguimos pra casa, chegando em casa eu a deixo e vou devolver o carro para a locadora.
Estou voltando sozinha e vejo um restaurante com uma placa! “PRECISA DE COZINHEIRA”, será que deixo um currículo? Bom o não eu já tenho.
Meu celular começa a tocar, eu paro e começo a procurar na minha bolsa, olho o identificador e o número é desconhecido, recuso a ligação e aguardo o sinal fechar para que eu possa atravessar a rua, o celular começa a tocar de novo, eu atendo.
Tina – Alô.
Brian – Oi Tina, está melhor?
Tina – Quem está falando?
Brian – Sou eu Brian, estou ligando para marcar nosso café – Nisso ela vira de costas para o restaurante.
Tina – Oh, sim, claro. Quando seria?
Brian – Você está disponível agora? – Eu escuto uma gritaria do outro lado da rua, chego olhar, mas não dou bola e volto a atenção para o Brian.
Tina – Se for rápido, sim, pois eu tenho curso de noite, e nem arrumei minhas coisas ainda.
Brian – Prometo ser rápido, vou te passar o endereço.
Tina – Ok, até daqui a pouco.
Atravesso a rua e vou perguntar sobre a vaga de cozinheira.
Tina – Olá bom dia, eu me chamo Valentina, vi na placa que estão precisando de cozinheira, eu sou formada em Gastronomia no Brasil, gostaria de saber se posso me candidatar a vaga.
Gerente – Mas você é muito cara de p*u, acabou de esculachar nossa comida, saiu sem pagar e fazendo escândalo, e ainda volta e vem me pedir emprego. – O gerente chegava tremer de raiva, ele gritava, gesticulava, todos do restaurante olhavam para mim, com cara de nojo e eu sem entender nada.
Tina – Desculpe senhor, mas acredito que está me confundindo com alguém, eu nunca vim neste restaurante, cheguei ontem do Brasil.
Gerente – Não sei como trocou de roupa tão rápido, mas você não me engana, suma daqui.
Eu sai super assustada do restaurante, olho meu celular e o endereço que Brian passou não é muito longe.
Sigo para o endereço, entro e vou para uma mesa, ao canto mais escondida, ainda estou tremendo.
Garçonete – Você está bem?
Tina – Por favor, me dá um copo de água, eu vou esperar meu acompanhante para fazer o pedido.
Garçonete – Me chamo Brenda, desculpe a insistência, mas é que você está branca. Está tudo bem mesmo?
Tina – Eu não consigo falar agora, mas muito obrigada.
Brenda – Alguém fez alguma coisa com você? Quer que eu chame a polícia?
Tina – Oh não precisa, só um gerente que foi muito grosso comigo, mas o que me assusta mais é ele ter a certeza de que eu desfiz de seu restaurante sem nunca ter colocado os pés lá.
Brenda – Você não é daqui, não é?
Tina – Não, sou brasileira. Desculpe me chamo Valentina.
Brenda – Ok, Valentina eu sou brasileira também, mas estou a dez anos aqui, então já perdi um pouco o nosso sotaque, olha esse é meu telefone, caso se sentir perdida me liga, já vou trazer sua água. – Logo ela volta com a minha água e eu começo a colocar colheres de açúcar na mesma.
Brian – Está tudo bem? – Ele me olha com olhar de preocupação, eu não sei porque, mas sinto que posso confiar nele, e nisso meus olhos enchem de lágrimas. Ele levanta e coloca a cadeira, mas próximo de mim, seca minhas lágrimas, eu ainda tremia, nunca tinha passado por tamanha humilhação. – O que aconteceu?
Eu olho para ele sem saber ao certo o que dizer, pois nem eu mesma estava entendendo o que acabou de acontecer.
Ele estava lindo em um lindo terno azul-escuro, com o corte perfeito, certeza que foi feito sobre medida, e aqueles olhos verdes me hipnotizam.
Tina – Foi horrível. – Eu não conseguia nem falar.
Brian – O que foi horrível? Fizeram alguma coisa para você?
Tina – Na verdade, eu não entendi o que aconteceu – limpo minhas lágrimas e conto o que aconteceu, ele fecha a cara na hora – Eu nunca fui tão humilhada na minha vida, e olha que eu já passei poucas e boas no Brasil.
Brian – Eu sinto muito, qual foi o restaurante?
Tina – Não lembro o nome, mas ele não fica muito longe daqui ele fica em uma esquina, com a fachada vermelha.
Brian – Eu sei qual é. Você está procurando emprego?
Tina – Na verdade, eu vim para estudar, mas não gosto de ficar parada, amo cozinhar, então pensei em tentar a vaga.
Brian – Entendi, se quiser posso arrumar no restaurante da minha empresa, a gente sempre faz eventos e almoços de negócios.
Tina – Eu poderia cozinhar o que eu quisesse?
Brian – Primeiro você me faz um almoço, se eu gostar te dou carta-branca.
Tina – Certo, e quando pode ser esse almoço?
Brian – Hoje, vamos ao supermercado, e compramos tudo o que precisa, para me surpreender.
Tina – Não ia ser um café rápido?
Brian – Mas você precisa relaxar – eu olho assustada para ele que completa – Você relaxa quando cozinha, não relaxa?
Tina – Oh, sim, vou mandar uma mensagem para a minha amiga avisando que vou demorar. Você já comeu comida brasileira?
Brian – Não.
Tina – Tem alergia de alguma coisa?
Brian – Não.
Tina – Obrigada Brenda, eu vou adicionar seu número.
Saímos do café e fomos para o supermercado, no caminho envio mensagem pra Abi.